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CMCR_JULHO

15 de maio, 2019 às 17:20

Walter Junior

A falência do ensino e da coerência

Foto: Arquivo Pessoal

Chegamos ao quinto mês do novo governo brasileiro e polêmicas não faltam. A última da vez se trata dos ‘cortes na educação brasileira’. ‘Cortes’ estimados em 30% nas universidades públicas despertaram intelectuais que estavam adormecidos há pelo menos 16 anos. A sensação de que a educação brasileira acabou da noite para o dia, é nítida. É oficial: temos a oposição mais incoerente, ou hipócrita, da história brasileira.
 
Números demonstram que esses 30%, são na realidade 3,5% do orçamento. Na era das ‘fake news’, diariamente nos deparamos com algum textão nas redes sociais questionando o péssimo governo brasileiro, que está destruindo a educação, que segrega e é fascista. Transfiguram números, exigem mágica (pois ninguém resolve um país do dia para a noite), usam até mesmo da própria imaginação, tudo com uma única intenção: travar o atual governo.
 
Percebe-se um paradoxo político no Brasil. Os visionários defensores da justiça social e dos mais vulneráveis, entendem que as universidades públicas devem ser financiadas do modo que são hoje: com dinheiro de impostos.  Qualquer método envolvendo a iniciativa privada é rechaçado. Porém, o cenário atual mostra que aproximadamente 60% dos atuais alunos das universidades públicas estão entre os 20% com maior renda. Entre os mais pobres, apenas 3,4%. O benefício dos mais ricos no ensino superior público é desproporcional e seu crescimento é geométrico. Essa é a única opção possível para que a classe baixa atinja o nível superior?
 
Para entender-se melhor o motivo do contingenciamento de verbas para a educação, precisamos falar da realidade de recursos escassos que o país enfrenta. O país opera em déficit fiscal, por conta do rombo previdenciário e das dívidas financeiras. Outro ponto é a gestão completamente ineficiente das universidades. Por incrível que pareça, no Brasil, investir não significa ter qualidade. Durante o ‘Lulo-petismo’ (2002-2015) o orçamento do MEC quadruplicou e o país não avançou uma posição, sequer, no ranking PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Bilhões de reais aliados ao ‘genial’ Paulo Freire, não foi capaz de alavancar nossa educação. Numa situação de recurso escasso o corte necessita ser feito no topo, não na base. Para se ter ideia, um aluno de ensino superior federal, custa em média, R$ 37.500,00 por ano. Já no FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), o custo do aluno nos anos iniciais do ensino fundamental é de R$ 3.200,00 por ano. O que se gasta em um ano para o aluno do ensino fundamental, se gasta em um mês para o aluno do ensino superior.
 
Há décadas, a educação superior pública tornou-se refém da caneta ideológica de um político e da situação fiscal do país. Uma boa alternativa seria um planejamento sustentável para o financiamento das universidades além dos recursos públicos. Uma cobrança de mensalidade daqueles que podem pagar, doações, fundos patrimoniais, financiamentos de pesquisa em parceria com a iniciativa privada são ideias maravilhosas que vem surgindo em meio à baixaria. Assim, reduzimos o poder de interferência política - e ideológica do governante - aumentando a autonomia das universidades. Além disso, é possível priorizar os recursos para o ensino básico, sem afetar o funcionamento, e a expansão do ensino superior público.
 
Portanto, é nítido que a oposição não quer soluções, não quer melhorias (até porque não se propõe nenhuma). Querem barulho. Vão fazer barulho por 4 anos, seja uma excelente ação governamental ou péssima. Basta analisar os protestos iniciados nesse dia 15 para perceber que metade dos manifestantes nem são estudantes e a outra metade não sabe a diferença entre cortes e contingenciamento. Espera-se que o governo se mantenha firme e não ceda às pressões midiáticas que vão terminar de afundar o país. Ademais, caso a reforma da previdência passe, o governo já deixou claro que tudo pode ser revisto.
Por Walter da Silva Rodrigues Junior, graduado em Engenharia Civil e acadêmico de Engenharia de Produção (12/19)
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