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16 de março, 2020 às 11:26

Após 5º 'circuit breaker' em 6 pregões, Bovespa despenca ao redor de 10%

Mercados globais desabam nesta segunda-feira (16) após Fed anunciar novo corte surpresa na taxa de juros dos EUA e com mais países fechando fronteiras para tentar frear o coronavírus.

O principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3, despenca novamente nesta segunda-feira (16), chegando a ter os negócios interrompidos logo na abertura, em meio a dúvidas nos mercados globais sobre a eficácia das medidas anunciadas pelo Federal Reserve (FED) e outros bancos centrais e temores sobre a dimensão dos impactos da pandemia de coronavírus na economia.
 
Às 11h52, o Ibovespa caía 9,47%, a 74.848 pontos. Mais cedo, chegou a tombar mais de 14%, recuando a 70.855 pontos.
 
No acumulado no ano, a perda na Bolsa chega a 35%.
 
Às 10h24, quando o índice registrou queda de 12,53%, foi acionado o "circuit breaker" - mecanismo da B3 que interrompe as negociações por 30 minutos quando a queda chega a 10%. Se a queda chegar a 15% ao longo do dia, as negociações serão interrompidas novamente, dessa vez por 1 hora.
 
Foi a 5ª vez em 6 pregões que as negociações foram interrompidas na B3. Antes mesmo da abertura do pregão, o contrato futuro do Ibovespa já caía 10%, já sinalizando que ocorreria um novo "circuit breaker".
 
Já o dólar opera em forte alta, chegando a bater na abertura R$ 4,98.
 
Maiores quedas do dia
Entre as ações do Ibovespa, as companhias aéreas estavam entre as mais afetadas, devido ao efeito da pandemia no setor de viagens, além da alta do dólar, com Azul em baixa de 20,23% e Gol perdendo 17,19%.
 
CVC Brasil recuava 19,02%, JBS perdia 15,38% e Petrobras caía 11,49%.
 
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 13,91%, a 82.677 pontos. Na semana, porém, acumulou queda de 15,68% – pior desempenho semanal desde outubro de 2008. No ano, a bolsa acumula perda de 28,51%.
 
Cenário externo
Na véspera, o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) anunciou, em pleno domingo, a redução da taxa de juros dos Estados Unidos para a faixa de 0% a 0,25%, o que agravou os temores sobre o impacto econômico da pandemia. Foi o segundo corte de juros em menos de duas semanas. A instituição também anunciou um programa de compra de US$ 500 bilhões em títulos do Tesouro e de US$ 200 bilhões em valores hipotecários.
 
Em nota a clientes, o Credit Suisse destacou que esses estímulos emergenciais são medidas fortes, que fazem sentido dada a rápida deterioração econômica como consequência do surto do Covid-19, mas que o mercado parece estar mais cético e negativo.
 
Na China, dados oficiais mostraram um tombo maior do que o previsto na economia. A produção industrial na China caiu 13,5% em ritmo anual nos 2 primeiros meses do ano, na primeira contração em quase 30 anos. Já as vendas no varejo recuaram 20,5% na comparação com os dois primeiros meses de 2019.
 
Na Europa, os principais índices de ações despencaram a mínimas desde 2012, com França e Espanha liderando as perdas após se juntarem à Itália com a imposição de quarentena nacional.
 
Na Bolsa de Nova York, também foi acionado o 'circuit breaker' e os índices tinham queda ao redor de 8%. Já o preço do barril de petróleo Brent tombava 10%, a US$ 30,22.
 
Expectativa de corte de juros no Brasil
No Brasil, as atenções da semana se voltam para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que anuncia na quarta-feira (18) a nova taxa básica de juros. Com a decisão do Fed, aumentam as apostas do mercado de um novo corte na Selic, atualmente em 4,25%.
 
O mercado reduziu para 1,68% a estimativa de crescimento do PIB em 2020, segundo o boletim Focus do BC, divulgado nesta segunda. Os analistas também passaram a prever um corte da taxa básica de juros nesta semana, dos atuais 4,25% para 4% ao ano.
 
Segundo informou o Blog do João Borges, o Ministério da Economia já discute as várias alternativas para aumentar a disponibilidade de recursos para enfrentar a emergência da saúde das pessoas e da economia por causa do coronavírus. Uma delas é elevar o déficit fiscal previsto para este ano, que é de R$ 124 bilhões.
 
Por Darlan Alvarenga, G1
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