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14 de setembro, 2021 às 08:54

Mesmo com queda no preço da arroba do gado, picanha vai a quase R$ 90

Caso de vaca louca e paralisação das exportações fizeram com que os valores pagos aos produtores apresentassem redução

Da redação

Imagem: Divulgação

Mesmo com queda no preço da arroba do gado, em decorrência da suspensão das exportações para a China após a confirmação de dois casos de vaca louca no Brasil, o preço da carne para o consumidor continua nas alturas, com o quilo da picanha custando quase R$ 90 em Campo Grande.  
 
O cenário se desenha para uma retenção de preços entre os frigoríficos, que, conforme apurado pela reportagem, chegam a pagar R$ 280 no boi gordo, R$ 270 na arroba da novilha e R$ 265 na vaca gorda. 
 
No entanto, na hora de repassar para as revendas, mantêm os mesmos valores de antes.
 
De acordo com o proprietário de um açougue de Campo Grande, que preferiu não se identificar, mesmo sabendo que houve queda na arroba do boi, ele continua pagando o mesmo valor pelo quilo comprado.  
 
“Não teve nenhuma baixa na praça de Campo Grande. Muito pelo contrário, não teve retração, a crescente que teve se manteve. A gente sabe que eles estão pagando menos na arroba, mas para nossa compra não teve queda nenhuma”, relatou.
 
Dados da Scot Consultoria mostram que na Capital o preço da arroba saiu de R$ 310,50 no mês passado para R$ 303,50 entre sexta-feira (10) e ontem (13), para pagamento à vista e livre de Funrural. 
 
Neste caso, a retração foi de 2,25%. Já no pagamento a prazo para 30 dias a queda foi de 3,47%, saindo de R$ 316,50 no mês anterior para R$ 305,50 em setembro.
 
Em Dourados, o preço da arroba saiu de R$ 310,50 à vista e R$ 316,50 no pagamento a prazo para R$ 300,50 e R$ 302,50, respectivamente. 
 
Já em Três Lagoas a arroba do boi saiu de R$ 305,50 para R$ 297,50 na compra imediata, e para 30 dias caiu de R$ 311,50 para R$ 299,50.  
 
As cotações do mercado futuro do boi gordo também tiveram queda. Na bolsa de valores, a B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram queda a partir do anúncio da suspeita da doença (no dia 1º de setembro). 
 
No dia 31 de agosto, o vencimento para setembro era cotado a R$ 310; no fechamento do dia 13 de setembro, caiu para R$ 298,35; o de outubro foi de R$ 310,80 para R$ 303,95; e o de novembro foi de R$ 319,95 para R$ 315 por arroba.
 
No entanto, segundo o especialista em Mercado Exterior Aldo Barrigosse, a paralisação das exportações pode acarretar em um menor valor nos supermercados.
 
“Poderemos ter redução dos preços nas gôndolas dos supermercados, pois existe a possibilidade de esta carne que tinha o mercado externo como destino ficar no mercado interno. Mais oferta de carne igual, menor preço ao consumidor”, ressaltou.
 
Preços
Conforme pesquisa de preço feita pela equipe do jornal Correio do Estado, o valor dos cortes bovinos varia até 66,94% nos estabelecimentos em Campo Grande. 
 
Foram aferidos preços em supermercados, casas de carnes e açougues da Capital.  
 
As maiores variações foram encontradas no preço da picanha, comercializada entre R$ 53,90 e R$ 89,98 (66,94%). O filé-mignon foi encontrado variando entre R$ 51,90 e R$ 79,98, diferença de 54,10%.
 
Já os cortes que tiveram menor diferença no preço foram o contrafilé, com 5,22%, sendo vendido entre R$ 41,80 e R$ 43,98, e a alcatra, que variou entre R$ 41,88 e R$ 44,68 (6,69%).
 
No comparativo com a última pesquisa realizada pela reportagem, em fevereiro e nos mesmos locais, o preço médio da picanha subiu 9,3%, saindo de R$ 64,33 para R$ 70,33.
 
O quilo do lagarto subiu 11,18%, saindo do preço médio de R$ 36,47 para R$ 40,55. Outro exemplo é o miolo de paleta, o quilo do corte custava, em média, R$ 33,87 em fevereiro e agora é comercializado a R$ 38,25, alta de 13,22%.
 
Vaca Louca
A confirmação da Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB ou vaca louca) ocorreu no dia 3 de setembro em um frigorífico de Belo Horizonte e o outro na cidade de Nova Canaã do Norte, em Mato Grosso.  
 
Com a confirmação dos casos, as exportações de carne bovina para a China foram suspensas temporariamente. A medida deve durar até que as autoridades chinesas concluam a avaliação das informações repassadas.
 
Para o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a situação está controlada, mas deve impactar o mercado local.
 
“A situação está sob controle com as medidas adotadas, mas a suspensão da China deve ter impacto no mercado local. Esperamos que as autoridades chinesas retomem ainda esta semana as exportações”, disse o secretário.
 
Entretanto, Verruck ressalta que são casos atípicos e que foram registrados em vacas de descarte que apresentavam idade avançada, o que segundo ele “significa que não há risco para a saúde humana e animal”.
 
A China é o principal parceiro comercial de MS, responsável por adquirir 50% do que o Estado produz. Entre janeiro e agosto, as exportações de carnes cresceram 11%, saindo de 136,1 milhões de toneladas em 2020 para 151 milhões de toneladas no mesmo período deste ano. 
 
Já em relação ao montante negociado, o aumento foi de 26,11%, saindo de US$ 499,9 milhões para US$ 630,5 milhões.
 
A carne bovina é o terceiro produto mais exportado pelo Estado e representa 12,8% da participação da balança comercial.
 
Abates
Antes mesmo da confirmação da doença, o Estado também já havia registrado queda nos abates, se comparado com os dados de um ano atrás. 
 
Segundo o boletim técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), no relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Mato Grosso do Sul produziu 2 milhões de cabeças para abate nos sete meses de 2021, o que representa queda de 8,72% em relação ao mesmo período do ano passado.  
 
Barrigosse destaca que também é possível haver uma redução no volume das exportações e no abate. 
 
“Poderemos ter uma redução no volume das exportações de carne, pois o mercado da China é o nosso maior comprador. Essa redução poderá diminuir a quantidade de abates bovinos, prejudicando a operação e a escala dos abates. E ainda pode provocar a redução nos preços pagos pela arroba do boi aos produtores”, concluiu. 
Por Izabela Cavalcanti / Correio do Estado (colaborou Súzan Benites)

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