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Técnicos querem criar novo canal em hidrovia no Pantanal de MS

Novo canal teria três metros e meio de profundidade, segundo técnicos

Publicado em 08/06/2011 11:57

Engenheiros e físicos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão no Pantanal de Mato Grosso do Sul para fazer estudos que permitam melhorar o canal de navegação no rio Paraguai. O projeto pretende dar mais segurança as embarcações.

Do ponto de pesquisa montado em uma pousada no Pantanal, o grupo sai para mais um dia de trabalho. Já são oito meses de estudos. Para chegar até o local do monitoramento é preciso ir de barco. Eles levam também um vant, avião não tripulado que é utilizado no levantamento de dados.

O local do monitoramento, fica no distrito de Porto Esperança, próximo a ponte ferroviária Eurico Gaspar Dutra, a cerca de 80 quilômetros de Corumbá, na região oeste de Mato Grosso do Sul. A equipe monta o laboratório dentro da lancha mesmo. Utilizando um GPS, o grupo formado por engenheiros e um físico da UFPR terminam a montagem do avião equipado com piloto automático. A decolagem é feita por controle remoto e na água.

“O vant está sendo utilizando para fazer o levantamento aéreo, pois dificilmente se perceberia detalhes fazendo o monitoramento por barco ou terra”, explica o físico da UFPR, José Eduardo Gonçalves.

Segundo os engenheiros, a região da ponte é muito utilizada para o transporte fluvial de mercadorias, porém, o trecho é considerado o mais crítico da hidrovia do rio Paraguai.

“Esse canal obriga os comboios a passarem em condição obliqua a ponte, o que antigamente causou alguns acidentes de comboios que bateram nos pilares da ponte”, comenta o engenheiro civil da UFPR, Philipe Ratton.

Ratton detalha que em determinado ponto os comboios têm de fazer uma curva muito acentuada. “Com dificuldade para fazer a manobra eles vem utilizando um canal secundário”, relata.

Quando os comboios passam pelo canal alternativo acabam provocando impactos ambientais na região. Por causa da necessidade de desmembrar as barcaças, as empresas transportadoras acabam amarrando as embarcações em árvores localizadas nas margens do rio, o que provoca o assoreamento.

A intenção dos pesquisadores é formar um novo canal no local, de cerca de 4.200 metros, que permita uma navegação mais segura. Evitando acidentes, como o que aconteceu na ponte sobre o rio Paraguai no início do mês de maio. Os engenheiros pretendem, dragar um canal com pelo menos três metros e meio de profundidade, o que deve possibilitar a navegação durante todo o ano, mesmo em época de estiagem no Pantanal.

De acordo com engenheiros que trabalham na elaboração do projeto, o novo canal de navegação deve possibilitar o tráfego de um comboio completo, com até 16 barcaças. Diferente do que é realizado hoje, quando existe a necessidade do desmembramento. Isso deve reduzir o tempo de viagem e diminuir os custos do transporte.

“Isso vai aumentar a competitividade do modal hidroviário em relação ao rodoviário e ferroviário, que são os mais utilizados atualmente. O hidroviário possibilita maior volume de cargas e é o mais favorável para a região”, avalia o engenheiro civil da UFPR, Sellen Fadel.

O estudo ambiental já foi concluído, falta agora, os últimos levantamentos, como, por exemplo, o cruzamento de dados da hidrovia em épocas de seca e de cheia. Após a finalização de todo o projeto, a universidade vai apresentar o relatório ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), que deve encaminhar tudo para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Depois da aprovação do Ibama o DNIT deve abrir licitação para o início das obras. A previsão é de que até o fim do ano o novo canal esteja dragado. (G1/TV Morena).

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