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13 de janeiro, 2021 às 07:00

Acionistas aprovam fusão de Peugeot e Fiat, que cria a quarta maior montadora do mundo

A união se tornará efetiva em 16 de janeiro, informaram os dois grupos

Da redação

Foto: Arquivo

Os acionistas da Peugeot e da Fiat Chrysler validaram nesta segunda-feira, 4, a fusão dos grupos, um casamento franco-ítalo-americano concebido para atingir um tamanho crítico em um mercado automobilístico em plena revolução. A união dos grupos francês PSA e ítalo-americano FCA criará a Stellantis, quarta maior empresa mundial em número de veículos vendidos.
 
Vai ser também a terceira em volume de negócios, atrás da japonesa Toyota e da alemã Volkswagen. Após a votação dos acionistas da PSA nesta segunda pela manhã, os acionistas da FCA, reunidos em assembleia geral, votaram à tarde a favor do projeto de fusão.
 
A união se tornará efetiva em 16 de janeiro, informaram os dois grupos. A Stellantis começará a cotar a partir do dia 18 nas bolsas de Paris e Milão, e do dia 19, na New York Stock Exchange.
 
O novo grupo Stellantis terá mais de 400.000 funcionários e reunirá 14 marcas emblemáticas, como Citroën e Maserati (que já estiveram unidos brevemente há 50 anos), Fiat e Opel, Peugeot e Alfa Romeo, Chrysler, Dodge, ou Jeep.
 
"Nunca tive tanta vontade de viver um momento da história como hoje", disse o presidente do conselho de supervisão da PSA, Louis Gallois, que se aposentará após a fusão.
 
"Teremos um papel de primeiro plano na próxima década, na redefinição da mobilidade, como fizeram nossos pais fundadores, com muita energia", disse o presidente da FCA, John Elkann, referindo-se a uma "fusão histórica".
 
"Esta fusão era uma questão de sobrevivência tanto para a Fiat como para a PSA", afirma Giuliano Noci, professor de estratégia da Escola Politécnica de Comércio de Milão.
 
Os dois grupos enfrentam enormes desafios tecnológicos e estratégicos (veículos elétricos, digitalização, direção autônoma) e os efeitos devastadores da pandemia de covid-19.
 
As marcas do grupo vão reduzir, em particular, os custos de desenvolvimento e de fabricação e completar sua oferta em todas as gamas.
 
"Graças a sua união com a PSA, a Fiat-Chrysler poderá reforçar sua presença na Europa", afirma Giuseppe Berta, professor da Universidade Bocconi de Milão e especialista em Fiat. "O grupo francês colocará novamente um pé nos Estados Unidos, graças a seu aliado ítalo-americano", acrescenta.
 
Uma fusão modificada
 
A votação dos acionistas sela a união contemplada desde 2018, anunciada no fim de 2019 e que teve a preparação afetada pela crise do coronavírus.
 
No fim de dezembro, a Comissão Europeia aprovou a união, com a condição de que os dois grupos cumpram seus compromissos para preservar a concorrência no setor dos pequenos utilitários, área em que controlam grande parte do mercado.
 
As montadoras já haviam modificado seu contrato para que a união seja um casamento entre iguais, enquanto a pandemia afetava suas respectivas contas.
 
A FCA aceitou reduzir o valor de um dividendo excepcional pago a seus acionistas. A PSA decidiu vender 7% do fabricante de equipamentos francês Faurecia antes de distribuir o restante aos acionistas da Stellantis. A participação do grupo chinês Dongfeng também será reduzida.
 
Mas o fundo Phitrust, que tem menos de 1% do capital da PSA, critica uma falta de "equilíbrio entre as partes" que favorece os ítalo-americanos.
 
Haverá fechamento de unidades?
 
Nos documentos apresentados às autoridades financeiras, PSA e Fiat consideram que a fusão custará 4 bilhões de euros (4,9 bilhões de dólares) e que as sinergias permitirão economizar com o tempo até € 5 bilhões (US$ 6,13 bilhões) por ano.
 
O presidente do conselho de administração da PSA e futuro CEO do novo grupo, Carlos Tavares, disse no final de 2019 que não estava previsto o fechamento de nenhuma fábrica.Os sindicatos duvidam disso.
 
"Globalmente, é um bom seguro para o futuro do nosso grupo. Os que não tomarem esta curva correm o risco de ficar para trás", comenta Franck Don, delegado do sindicato CFTC da PSA.
 
"Hoje, o grupo FCA é uma grande incógnita para nós", disse o sindicalista. "Que sinergias haverá? Que potenciais consequências para as plantas situadas na França?", questiona Don.
 
O fundo Phitrust adverte, porém, que a Fiat não tem margem de manobra na Itália, onde obteve um empréstimo garantido pelo Estado de 6 bilhões de euros. "As fábricas francesas da PSA poderão se tornar a variável dos ajustes, gerando fortes perdas de emprego", avisa o fundo.
 
Foto: Arquivo - Agência Brasil

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