Equipes que participaram da 2ª Copa América de Corrida de Aventura falam sobre a cidade e a prova
Equipes que participaram da 2ª Copa América de Corrida de Aventura falam sobre a cidade e a prova
Publicado em 28/04/2016 09:49
Equipe Terra de Gigantes/Selva, campeã da Copa América de Corrida de Aventura 2016
Em janeiro a equipe recém formada se reuniu para conversar sobre o grande desafio 2016: a participação na final do ARWC na Austrália. Desde então, começamos uma preparação frenética orientada pelo Mestre Caco. Para alcançar nosso objetivo, precisávamos colocar metas ao longo do percurso e foi quando tivemos a ideia de usar a Copa América como preparação. Porém, na semana da prova tivemos uma baixa, o Rafa Melges teve alguns contratempos e não pode embarcar. Quando Caco ligou, já estava com a solução pronta, vamos com o Carcaça!
A expectativa em relação ao percurso aumentou muito quando descobrimos que a prova estava sob orientação do Lucas e Fran...que saudades dos intermináveis Chauás!
Toda nossa alegria aumentou ao receber o mapa. Diversificado, com bons trechos de navegação, sentimos ali que nada seria fácil e exigiria muita cabeça. Além da navegação, o ambiente selvagem da Costa Rica e o clima quente e seco seriam outros pontos de atenção.
Foi dada a largada na sexta às 10h que calor!!! Cruzamos o centro da cidade, pegamos as bikes, cruzamos novamente a cidade e, a partir daquele momento, passaríamos bem longe de "civilização" por algum tempo. Primeiro foram as estradas em fazendas, muita areia e um pedal bem duro. Estávamos juntos com outras equipes, liderando o pelotão. Chegamos no PC 4 ainda entre os primeiros, saímos forte para o trekking, mas cometemos um erro na saída da fazenda nos obrigando a varar um pântano e perder 50 minutos em relação as outras equipes. Chegamos a ficar em 14º lugar, mas sem nenhuma preocupação pois sabíamos que a prova começava ali!
Passamos pelo PC5 ainda claro, que seria fundamental para nossa estratégia do trekking. Precisávamos cruzar o vale com o máximo de claridade possível e ainda, como optamos por descer em um local onde as equipes não tinham passado, teríamos que "abrir" o caminho sozinhos. Além de uma boa estratégia, contamos com um pouco de sorte pois o local escolhido possuía uma parede transponível, que realizamos em cordas utilizando técnicas verticais. Chegamos no rio formado pelo vale escuro, mas como a navegação estava indo bem, conseguimos identificar rapidamente as junções dos rios que seriam a referência para alcançar o PC6. Após mais alguns quilômetros de rasga mato, mordidas de tucundeiras e outros insetos, chegamos na vossoroca. Naquele momento já desconfiávamos da liderança pois não havia marcas no local e muita teia de aranha. Encontramos o PC6, comemoramos rapidamente e tocamos para a fazenda.
O próximo trecho era bem fácil de navegação, mas guardava uma surpresinha do Lucas: um vara mato com as bicicletas de quase uma hora! Fizemos o trecho todo à noite até o Parque das Lages e partimos para uma pernada supostamente "rápida", "curta" entre outros adjetivos usados na construção do mapa. É Chauás amigo, leva comida, lembramos! A pequena volta durou quase 6 horas, com direito a um canionismo interminável para alcançar o PC12.
Voltamos e nenhuma outra equipe tinha entrado nesse trekking naquele momento. Fizemos uma transição um pouco mais calma mas não baixamos o ritmo, uma prova dessa tudo pode acontecer. Fizemos um pedal super rápido, sem perder tempo para a canoagem, aliás o dia estava esquentando. Iniciamos a remada e nos comprometemos a acelerar para terminar de dia, para isso precisávamos descer os 34km em menos de 5 horas. Após 4 horas e 40 minutos, chegamos na transição bem como previmos.
Naquele momento era só alegria! Que prova dura! Fizemos a tirolesa sobre o Salto do Sucuriu, e uma chegada escoltada pela organização e carros da cidade. Toda a prova começou a passar em minha cabeça, os momentos difíceis, superação, garra... sensação de missão completa! Mas nada disso SEM o espírito guerreiro do Carcaça, que com sua força constante não nos deixou baixar o ritmo, nem nos momentos mais difíceis; SEM a determinação e companheirismo da Mari em tentar manter a equipe unida, principalmente nos momentos de sono; SEM a concentração e foco do Caco que além de nos levar para o rumo certo, é o grande responsável pela nossa preparação física nos fazendo buscar força e preparo que nem sabia que existia!
Parabéns a organização e todos os envolvidos pelo grande e belíssimo evento!!!!
Equipe Brou Aventuras Kailash
Em algum momento depois que cheguei da minha Expedição "De Bike pelos Andes", acho que no fim de fevereiro, o Juninho apareceu e me disse que tínhamos que ir pra Costa Rica correr a Copa América. "Costa Rica? Longe demais pra gente, não?". Ele respondeu que era na verdade uma cidade no Mato Grosso do Sul e que ia sediar a edição 2016 da competição continental.
Me animei e teríamos que tentar ir com uma formação diferente, já que o Brou e o Dino não poderiam nos acompanhar nesta jornada aventureira.
Conversei nos dias seguintes com a Marianinha, que também se animou. Faltava um elemento pro quarteto maluco ser formado e rumarmos pro Centro-Oeste do Brasil. Querendo uma formação totalmente mineira, pensamos logo no Caixeta, camarada das antigas das Corridas de Aventura e ultra forte também, em todos os sentidos. Fizemos o convite e para nossa alegria ele disse sim e por fim estávamos prontos para mais essa aventura.
Preparativos finais, checagem na lista de equipamentos obrigatórios, bikes revisadas! Agora era encarar os 1200km que separam BH de Costa Rica.
Depois de um dia inteiro de estrada, chegamos finalmente e fomos direcionados para uma das "escolas-alojamento". A primeira impressão foi excelente, e todos elogiamos a estrutura do sistema educacional da cidade. Escolas totalmente equipadas, com quadras poliesportivas, salas com ar condicionado, biblioteca super legal, e até uma horta cuidada pelos alunos! Espetacular!
Na quinta feira finalmente a equipe se reuniu completamente e fomos fazer o check-in na prova e depois participamos da mais sensacional Ação Social de que já participamos. Plantamos uma árvore numa das praças da cidade, e ao lado ficou uma plaquinha com o nome da nossa equipe, a bandeira de Minas Gerais e os nomes dos integrantes das equipes! Pronto: agora já temos um motivo para voltar à Costa Rica.
À noite, na véspera da prova, um briefing super organizado, respeitando os horários e com os loucos do Fran e do Lucas dando os últimos detalhes sobre a prova. Depois saímos pra tradicional pizza antes da prova, e fomos dormir na expectativa de amanhã encarar a natureza selvagem do Mato Grosso do Sul.
Às 10h22, com um pouquinho de atraso e sob um calor sufocante, partimos para uma corrida pela cidade até as bikes, 4km desesperadores e com o coração batendo alucinadamente! 18 minutos depois estávamos já nas bikes, saindo no 2º pelotão, atrás da dupla Advogado Aventureiro e do quarteto argentino Ansilta!
O ritmo seguiu forte, com as equipes revezando no pelotão enquanto estávamos no asfalto e pouco depois começou a estrada de terra e areia na qual pelejaríamos por um tempo. Força, frustração, empurra bike, força de novo. Sentindo muito o começo forte da prova, pedi ao Juninho pra levar minha mochila até eu me ajustar e aí a equipe começou a render melhor e logo estávamos entre os ponteiros de novo. Quando chegamos outra vez no asfalto, estávamos pedalando com a Selva/Terra de Gigantes (que acabou vencendo a prova). Chegamos na transição justo quando a dupla Advogado Aventureiro saía pro Trekking, ao lado da Competition Aroeira (que chegou à nossa frente com uma navegação diferenciada), e um pouquinho à frente da Selva/Terra de Gigantes.
Este trekking era o ponto crucial da prova, mas no começo era uma estradinha sem muitos problemas. Mais ou menos uma hora depois achamos o PC5, onde chegamos antes que todo mundo, junto com a Competition Aroeira.
Dali um mirante dava mostras do lugar lindo e selvagem em que íamos nos meter muito em breve. Uns cânions massivos e grandiosos nos esperavam com seu encanto e beleza diferenciados, mas também com um lugar poucas vezes visitado por seres humanos.
Demos uma olhada à esquerda da crista onde estávamos para ver se dava para encarar a descida por ali, mas como os organizadores insistiram tanto que não dava pra descer, então decidimos seguir pela direita mesmo, caminho sugerido pelo mapa.
Daí em diante parece que vivemos outra vida, em que o tempo parou fora dali e que tudo que presenciamos dentro do Cânion foi mais próximo do surreal.
Encontramos todas as equipes da prova nas 17 horas que ficamos ali, menos a Advogado Aventureiro e a Terra de Gigantes/Selva. Apesar de perdidos, compartilhamos momentos únicos, divertidos, sofridos, de companheirismo e trabalho em equipe.
Junto com a Papaventuras, AMS e Rosa dos Ventos, vivemos uma noite fria e cheia de carrapatos, e quando amanheceu eu e Juninho escalamos um pequeno pico de pedras pra ver onde estávamos e vimos que dormimos na reta do PC6, só que bem mais acima. Nosso trabalho foi então descer até o rio e lá rapidamente sentimos o cheiro da fogueira e deduzimos que o PC não poderia estar longe. De fato, menos de 3 minutos depois assinamos o famigerado PC! Depois de entrar em primeiro, mas tendo passado muitas e muitas horas perdidos, não ficamos totalmente decepcionados por sair em 9º lugar. Ainda tinha muita prova pela frente e íamos tentar buscar a galera da frente.
Transição medianamente rápida para comermos bem depois da restrição de alimentos a que tínhamos sido submetidos durante o trekking mais longo do que tínhamos planejado, e às 9h30 da manhã saímos pra bike mais longa da prova.
Calor forte, subidona incrível pra sair da Transição mas logo estávamos no platô outra vez e fazendo força para reduzir nossa diferença pro 2º pelotão da prova, que era de 4h. Mais estradas de terra, areia, costelas e nada de sombra. Chegamos no PC 8 e dali mais um desafio nos esperava. Um trecho de uns 3km sem trilha até uma estrada que nos levaria ao PC9. Começamos rasgando mato e depois subimos uma trilhinha promissora num pasto que nos levou a uma fazenda com água gelada, mexerica e finalmente, uma ESTRADA! Felicidade às vezes vem com tão pouco...
Mais pedaladas e no PC9 vimos que tínhamos tirado 2 horas do nosso atraso para as equipes da frente e seguimos forte no asfalto rumo à próxima transição, na região conhecida como Laje. Na chegada tomamos uma coca-cola muito esperada ultra gelada de 3L e almoçamos ainda antes de sair pro trekking.
Pelas informações do staff, a equipe mais rápida tinha feito o trekking em 2 horas e a mais lenta em 7h30. Muita diferença e percebemos que a coisa era mais feia que imaginávamos. Entramos num milharal e descemos para um vale onde nos perdemos e nos perdemos e nos perdemos. Demos mais de 10 voltas por todo o vale buscando o PC11, várias vezes pensando que com certeza agora estaria por ali para nos decepcionarmos mais uma vez.
Vimos neste trekking os argentinos que estavam em 2º e 3º lugar e nos animamos outra vez, dando um gás em busca do PC antes que anoitecesse. Mas por mais que navegássemos, que pensássemos nas alternativas, opções e possibilidades, não conseguimos achar mesmo o PC11.
Desistimos e seguimos em direção ao 12 para voltar para a transição, mas no caminho encontramos a AKSA/Saci, que já tinha achado o 11 mas que se perdeu pra achar o 12. Nos deram uma dica de onde estaria o 11 e tentaram um outro caminho rumo ao 12.
Mais uma vez voltamos pro vale, já cansados de estar por ali, apenas consolados pela linda lua que iluminava tudo, mas se recusava a nos mostrar o caminho pro PC11.
Nem com as dicas da AKSA achamos o PC, e aí pelo horário avançado (já eram 21h), e como teríamos que voltar dirigindo no dia seguinte pra BH, desta vez desistimos mesmo. Refizemos nossos passos pela enésima vez, voltamos pra transição e depois de jantarmos arrumamos uma carona pra Costa Rica.
Quando voltamos pra buscar as bikes, eram já meia noite e meia, e nada das equipes que estavam buscando os PC´s 11 e 12. A coisa estava mesmo complicada.
Já eram mais de 2 horas da madrugada de domingo quando finalmente chegamos em Costa Rica com nossos equipamentos.
Sempre penso nas lições que podemos aprender numa prova em que as coisas não saíram como planejamos. O que pensar da Copa América?
Em primeiro lugar, acho que foi muito bom o trabalho que a equipe fez como um conjunto, todos se ajudando e tentando manter o astral elevado mesmo durante as inúmeras vezes em que ficamos perdidos. Pra mim, como navegador, é reconfortante perceber que todos estão confiando em mim mesmo quando não está dando certo.
Depois, valeu com certeza a experiência que me fez perceber que quando a Brou Aventuras sai de casa pra uma corrida é lógico que nossa vontade é andar na ponta, mas quando não conseguimos, também volto feliz porque o que importa é estar com os amigos curtindo esses momentos inigualáveis em meio à natureza selvagem, coisa que aprendi faz tempo com o grande Vavá!
Valeu galera bruta que torceu e se angustiou com nossas perdidas...tenham certeza que fomos felizes durante todas as 35 horas que durou nossa prova!
Equipe Makaíra
Após 2 anos sem colocar os pés no mundo das Corridas de Aventura, recebi o convite do Helio Jugurta (Equipe Makaíra) para participar da Copa América de Corrida de Aventura. Seriam aproximadamente 200km de prova na região de Costa Rica, Mato Grosso do Sul. Honestamente eu não estava nem um pouco preparado para este desafio, mas não havia a menor possibilidade de perder a chance de voltar a este mundo maluco e maravilhoso, ainda mais em uma prova como esta.
Pois bem, voei de Curitiba para Campo Grande e de lá tudo já estava organizado pela CBCA para irmos de ônibus até Costa Rica, cidade base da prova. Organização muito boa, transporte confortável e um empenho gigante dos responsáveis para que ficássemos bem instalados antes da largada. Uma sensação muito boa em rever diversos amigos e conhecidos deste mundo e o mais maluco é que mesmo sem correr à um bom tempo, a maioria das pessoas que estavam por lá eram conhecidas (isso me faz pensar que precisamos introduzir mais pessoas novas neste esporte para que ele volte à crescer, mas isso é papo para um outro texto).
Tudo organizado, participamos do projeto social que era plantar uma árvore na cidade de Costa Rica e deixar nossa marca na manutenção da natureza. Achei a iniciativa bem bacana e confesso que curti bastante participar deste projeto. Até aqui tudo ia muito bem e geralmente nas corridas de aventura, quando as coisas estão muito calmas é porque algo está errado.
Briefing com jantar à noite e eis que surgem Fran e Lucas, grandes amigos e mitos das provas de aventura. Não sei se eu ficava feliz em revê-los ou preocupado em saber que eles é quem tinham traçado todo o percurso. Eu, como muitos fãs das antigas e extintas Chauás, sei que quando se trata desta dupla no traçado do percurso pode-se preparar para o pior dos perrengues (e era exatamente isso que estava por vir).
Últimas palavras do Fran no briefing: Final da Copa América, podem esperar uma prova mais curta que a do mundial, porém tão difícil quanto. Ferrou!
Bom, chega de preparação, hora de falar da corrida e socar a bota!
Sexta-feira, 10:00am todos reunidos para uma largada com corrida pela cidade. Pela avenida principal de Costa Rica, passávamos em bando e éramos aplaudidos por toda a cidade que nos recepcionava com muito calor e alegria. Animação top, praticamente 3 km de corrida e chegamos às bikes.
Pela frente teriamos aproximadamente 40km de bike até o PC 4 (como não naveguei desta vez, me desculpem se as distâncias estiverem um pouco erradas), saímos em comboio pelas plantações da região e mesmo com uma baixa altimetria, pegamos um pedal de terra fina e altamente desafiador aos músculos. As bikes escorregavam para todos os lados, ultrapassagens eram difíceis de realizar e tínhamos que nos concentrar para não perder o grip do pneu e "tomar um rola" no meio dos pequenos pelotões.
Navegação acertadíssima, vencemos as falsas retas e batemos no PC/AT 4. Hora de colocar nosso trekking à prova na parte que já sabíamos que seria a mais difícil da corrida. Com aproximadamente 18 km de trekking total (PC 4 ao PC 7) faríamos um loop por canions da região, seguindo por trechos sem nenhuma trilha e que prometiam ser o ápice em beleza natural.
Navegação ainda redonda, pegamos o PC5 (ainda com trilhas) e partimos para a descida do morro que agora já seria por nossa própria conta e sem a ajuda de nenhuma trilha marcada. Encontramos rapidamente a descida por uma canaleta de água de chuva que nos ajudava a transpor este obstáculo (acredito que fomos a terceira ou quarta equipe a descer o Canyon) e chegamos na parte inferior, onde a prova realmente começou.
Equipamento obrigatório para todas as equipes, o facão de mato começou a trabalhar juntamente com Saulo, nosso atleta com muita experiência de matagal e organizador da Casco de Peba em Petrolina. Com seus 1,92m de altura, Saulo abria pequenas avenidas para que conseguíssemos passar e assim seguimos alternando entre um rio e rasga mato durante umas 5 horas. Fizemos a primeira curva do loop inferior e usamos uma cerca como referência para "cortar" a borda do morro (acreditamos que seguir pela antiga cerca talvez fizesse com que pegássemos uma altimetria não tão forte) e conseguimos atingir o outro lado da montanha.
Pela nossa referência, o desafio agora seria seguir no sentido contrário do rio principal, encontrar o segundo afluente e azimutar para o PC6. A evolução estava muito baixa, porém tudo ainda corria dentro do planejado. Como disse anteriormente, em corrida de aventura quando tudo vai bem é porque algo está errado.
Ficamos das 13:00 de sexta às 8:40 de sábado para conseguir sair daquele trecho. Encontramos diversos outros rios que pareciam ser os afluentes, mas nada fazia sentido. Eu e a Amanda fomos picados pela tal formiga Tucandeira, que causa febre e muita dor (tomamos o anti-histamínico na mesma hora para prevenir e seguimos bem, só com a dor).
Todos da equipe tiveram um pequeno princípio de hipotermia por volta das 3:30am e optamos por subir um dos morros e fazer uma fogueira para nos esquentar e vencer a noite. Dormimos por 1 hora talvez e mesmo com todos estes perrengues, acordamos às 6:00 com o nascer do Sol e um visual de tirar o fôlego. Com o clarear do dia tivemos também o clarear das ideias e a navegação voltou à fazer sentido. Entendemos onde estávamos e percebemos que tínhamos passado MUITO perto do PC6 na noite anterior. Não lembrava o quão difícil era navegar a noite e desta vez Lucas e Fran se superaram! Talvez um dos trekking mais sinistros que ja presenciei.
Enfim, PC 6 recolhido, tínhamos certeza de que estávamos em último na prova inteira e para nossa surpresa tínhamos sido a 9ª equipe a bater no PC. Caramba, praticamente todas as equipes tinham "batido cabeça" e dormido ao relento como nós!!!! Batemos no PC junto com a equipe Brou Aventuras (e só isso ja era motivo de comemoração, pois os caras são sinistros!).
Seguimos para as bike no PC/AT 7 às 9:00am com um calor de mais de 30º C e no caminho nos deparamos de longe com uma grupo de porcos "queixada". Fiquei sabendo pelo Saulo que este animal é um dos mais perigosos da mata, pois anda em bando e atropela tudo que cruza seu caminho. Não tinha a menor ideia deste perigo e quando ouvimos o barulho, seguimos a instrução do Saulo e corremos para as árvores. Segundo ele, para fugir do queixada deve-se subir em uma árvore e esperar o bando passar. Não foi preciso subir, pois eles não nos viram mas confesso que o susto foi grande.
Estávamos detonados do trekking, mas pegamos as bike e partimos para os próximos PCs na certeza de que estávamos bem na prova ainda e tínhamos chance de recuperar. Com nosso pequeno pelotão de 4 pessoas formado, voamos em direção ao PC 8 com ritmo de treino de tiro e foi neste ponto que a prova nos pregou outra surpresa. Rasga mato com bike, passamos umas 4 horas seguidas debaixo de um Sol infernal tentando achar a entrada e saída deste bike/trekking. Muitos espinhos no corpo, carrapatos aos montes e rasgos na mão. Ali foi o ponto em que a prova se mostrou um desafio acima do que estávamos preparados. Não conseguimos transpor este obstáculo e após muita, mas muita tentativa mesmo, optamos juntamente com outras equipes a abandonar a prova e retornar pedalando por uns 45km até Costa Rica.
Sensação de tristeza em abandonar uma prova como esta, só amenizada ao saber que muitas equipes referência também abandonaram como nós. Mesmo com esta sensação, fiquei muito feliz em ter retornado a este esporte em uma prova maravilhosa como esta e principalmente, com uma equipe tão forte quanto esta formação da Makaíra.
Parabéns e minha admiração às equipes que conseguiram passar do PC6, do PC8 e sabe-se lá o que foram os PCs posteriores. Vocês são fera!!!
Corrida de aventura é assim, às vezes estamos num bom dia, às vezes não conseguimos atingir nosso objetivo final. Lógico que gostaríamos de ter terminado a prova completa, mas honestamente não fomos la só pelo término, mas sim pela experiência de vivenciar todas estas emoções ao lado de pessoas bacanas e isso para mim foi o que mais valeu.
Saí desta final de Copa América com vontade de treinar mais forte, de voltar a exercitar a navegação e com a certeza de que eu pertenço a este mundo de malucos. Hoje, 1 dias após o perrengue total, tenho a sensação plena de que consegui atingir um dos objetivos que fui buscar: A sensação de que estou muito vivo!
Ah, e é lógico que nossa formação da Makaíra ja está se organizando para a próxima prova. Com um integrante de cada estado, já estamos planejando nos juntar em breve para correr a Expedição Gralha Azul no Paraná com seus 150kms. O que!? Mal terminaram esta prova e ja querem sofrer de novo?? Pois é, afinal, não é isso que nos move à continuar em frente? Não sei vocês mas eu reencontrei a motivação que estava buscando há 2 ano
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