Violência contra mulheres cresce em dias de futebol e especialistas alertam para ciclo silencioso de agressões
Levantamento aponta aumento de mais de 23% nos casos durante partidas masculinas; impactos atingem saúde física, emocional e social das vítimas
Publicado em 11/05/2026 10:37
Enquanto milhões de brasileiros acompanham partidas de futebol em campeonatos como Brasileirão, Libertadores e Copa América, um outro placar preocupa especialistas em segurança pública e saúde: o aumento da violência contra mulheres em dias de jogos masculinos.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que, nas grandes capitais do país, os casos de violência contra mulheres crescem mais de 23% durante partidas de futebol. O levantamento acende um alerta para um problema que, muitas vezes, acontece dentro de casa e longe dos estádios.
Aumento de ameaças, agressões físicas e violência psicológica fazem parte de um cenário que especialistas classificam como grave e persistente. Para profissionais da área jurídica, o enfrentamento desse tipo de crime passa diretamente pela conscientização, acolhimento e fortalecimento das denúncias.
A docente de direito penal da Wyden, Ielly Barros, destaca que o combate à violência exige mobilização coletiva e não apenas a existência de leis.
“A defesa das mulheres vai além da legislação. É um compromisso social que envolve respeito, igualdade e responsabilidade coletiva. Muitas violências permanecem invisíveis, e romper o silêncio é essencial para interromper esse ciclo”, afirma.
Segundo a especialista, a denúncia representa um instrumento decisivo de proteção às vítimas. Canais como o Ligue 180 permitem que mulheres e testemunhas procurem ajuda de forma segura e sigilosa.
“O silêncio protege o agressor. A denúncia protege a vítima”, reforça.
Além da violência física, especialistas alertam para os impactos psicológicos profundos e duradouros causados pelas agressões. Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, baixa autoestima e transtorno de estresse pós-traumático estão entre as consequências mais frequentes.
Para Erica Vacilloto Fregonesi Domingues, psicóloga do IBMEC, o ciclo da violência compromete diretamente a saúde emocional das vítimas e pode provocar isolamento social.
“A violência não atinge apenas o corpo. Ela desestrutura a saúde mental, gera insegurança constante e afeta relações familiares, profissionais e sociais”, explica.
Sob o ponto de vista médico, os efeitos físicos também podem ser severos. A médica e professora do IDOMED, Vera Lúcia Fonseca, alerta para o risco de lesões graves e sequelas permanentes.
“A agressão física produz consequências complexas e multifacetadas, impactando corpo e mente. Entre as lesões mais comuns estão hematomas, fraturas, traumas cranianos, dores crônicas e danos internos”, afirma.
Segundo a especialista, muitas mulheres passam a conviver com dores persistentes, cefaleias, problemas abdominais e até fibromialgia após episódios recorrentes de violência.
Diante desse cenário, campanhas de conscientização têm buscado ampliar o debate sobre violência de gênero e incentivar o acesso à informação e aos canais de apoio.
A iniciativa “Não Fique Calado”, apoiada pelo Instituto Yduqs e pela Estácio, reúne conteúdos educativos, orientação jurídica e suporte psicológico para vítimas.
A plataforma também incentiva a participação do público masculino na discussão sobre violência contra mulheres, promovendo conscientização sobre respeito, prevenção e responsabilidade social.
Além das campanhas, a instituição mantém ações permanentes por meio dos Núcleos de Práticas Jurídicas (NPJ), que oferecem orientação gratuita à população, e dos Serviços-Escola de Psicologia, responsáveis pelo acolhimento emocional das vítimas.
Para Renata Tasca, diretora de Estratégia de Marcas e Mídia da Estácio, ampliar o acesso à informação é fundamental para fortalecer a rede de proteção às mulheres.
“Como a maior universidade do Brasil, entendemos nosso papel em levar informação e apoio à sociedade, conectando nossos serviços à iniciativa e fortalecendo ações de acolhimento”, destaca.
Especialistas reforçam que a violência doméstica não pode ser tratada como algo cultural ou naturalizado em períodos de maior tensão esportiva. O futebol, ressaltam, jamais pode servir como justificativa para agressões, ameaças ou qualquer forma de violência contra mulheres.
Casos de violência podem ser denunciados por meio do telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher, com funcionamento gratuito e sigiloso. (Com informações Evelise Couto).
Costa Rica em Foco
Pode te Interessar
Mais Lidas
- Coluna Hot Hot O Ancião
- Segurança Pública Mais de 300 mil presos já estão incluídos no cadastro nacional
- Mato Grosso do Sul No Conesul, outro ‘Waldeli dos Santos Rosa’ se destaca na gestão pública
