Mãe denuncia falhas na inclusão de aluno com autismo e caso chega à tribuna da Câmara de Vereadores de Costa Rica
Carta lida por vereador Ailton Amorim expõe denúncias de falta de preparo, ausência de apoio em sala e possível descumprimento de direitos garantidos por lei
Publicado em 14/04/2026 06:51
Uma carta enviada por uma mãe de aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) expôs, de forma contundente, denúncias sobre falhas no processo de inclusão escolar na Rede Municipal de Ensino (REME) de Costa Rica/MS. O relato, marcado por indignação e desespero, ganhou repercussão pública após ser parcialmente lido na tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Ailton Amorim (MDB), no último dia 6 de abril.
No documento, a mãe descreve uma rotina de dificuldades enfrentadas pelo filho dentro da escola, apontando ausência de acompanhamento especializado, despreparo de profissionais e situações que, segundo ela, comprometem o desenvolvimento e a segurança da criança.
“O que acontece é porque as professoras de apoio e professoras no geral estão todas sem preparo para conduzir uma criança em crise”, relata a mãe em um dos trechos. Ela afirma ainda que já enfrentou problemas semelhantes em outra unidade escolar e teme a repetição dos episódios.
Segundo o relato, a ausência de auxiliares em sala — mesmo em casos considerados indispensáveis — tem provocado cenários de desorganização e sofrimento para alunos com TEA. A mãe descreve episódios de crise, falta de intervenção adequada e sensação de abandono institucional.
“Hoje me deparei com uma sala com caos instalado sem apoio de auxiliar”, escreveu.
A denúncia também menciona o que seria o descumprimento da Lei Nº 12.764/2012, que garante o direito ao acompanhamento especializado quando comprovada a necessidade. A mãe afirma já ter buscado respaldo legal e indica que pretende levar o caso ao Ministério Público caso não haja solução.
Durante a sessão legislativa, o vereador Ailton Amorim destacou o teor do desabafo e cobrou que as políticas públicas voltadas à inclusão avancem além dos discursos institucionais. “A gente vê aqui o desespero de uma mãe que já está cansada desse problema com o seu filho. Precisamos colocar as coisas em prática, não ficar só no discurso”, afirmou.
O parlamentar ressaltou ainda que a manifestação ocorre justamente no período do “Abril Azul”, mês dedicado à conscientização sobre o autismo, o que, segundo ele, reforça a necessidade de ações concretas por parte do poder público.
Além do caso relatado na carta, a reportagem ouviu outras mães de crianças com TEA no município. Os depoimentos revelam insatisfação semelhante com o atendimento educacional. Em comum, as críticas apontam para falta de estrutura, capacitação insuficiente de profissionais e distância entre o que é divulgado oficialmente e a realidade enfrentada nas escolas.
A carta também chama atenção para o esforço familiar no tratamento do aluno fora do ambiente escolar, incluindo acompanhamento com terapias especializadas, e questiona a ausência de suporte adequado dentro da sala de aula. “Não adianta meu filho fazer horas de tratamento se na escola ele não recebe o acompanhamento necessário”, pontua.
O caso levanta questionamentos sobre a efetividade das políticas de inclusão no município e reacende o debate sobre a preparação das redes de ensino para atender alunos com necessidades específicas.
Costa Rica em Foco
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