Pais relatam pedido de doação de papel em escola municipal e questionam atrasos na entrega de materiais
Famílias dizem que professores demonstraram constrangimento ao solicitar “chamequinho”
Publicado em 16/03/2026 17:01
Pais de alunos da Rede Municipal de Ensino (REME) de Costa Rica/MS relataram uma situação que tem causado indignação entre famílias: professores teriam pedido doação de papel sulfite — conhecido como “chamequinho” — para que atividades pedagógicas em sala de aula pudessem continuar sendo realizadas.
O caso teria ocorrido após uma reunião de pais realizada na semana passada na Escola Municipal Joaquim Faustino Rosa. Segundo responsáveis presentes, após o encontro geral os pais foram encaminhados às salas para conversar com os professores, momento em que surgiu a solicitação.
De acordo com os relatos, o pedido foi feito pelas próprias professoras, que demonstraram desconforto ao abordar o assunto. “Ela disse que não sabia por que não tinha sido feita uma lista antes, mas pediu que quem pudesse trouxesse um chamequinho, porque eles fazem muitas atividades com as crianças”, relatou uma mãe.
Segundo os pais, a solicitação não teria partido da direção da escola, o que reforçou a percepção de constrangimento por parte das educadoras.
Atrasos
O episódio ocorre em meio a relatos de atraso na entrega de materiais escolares fornecidos pela REME neste início de ano letivo. Pais afirmam que alguns itens ainda não foram entregues ou chegaram de forma incompleta. Entre os problemas apontados estão:
• alunos que receberam apenas uma peça de uniforme;
• mochilas e estojos ainda não entregues;
• agendas escolares que não chegaram para todos os estudantes;
• livros didáticos distribuídos parcialmente;
• apostilas entregues somente após o início das aulas.
Segundo os responsáveis, a informação repassada pelas escolas é de que parte desses materiais ainda estaria em processo de entrega.
Procurada pela reportagem do Costa Rica em Foco, a secretária municipal de Educação, Maria Almeida, afirmou inicialmente não ter conhecimento sobre o pedido de doação de papel e disse que irá verificar a situação. “Não é nossa política pedir nada para os pais, porque nessa gestão a gente doa tudo: borrachas, materiais, tudo. Então não é essa política que nós adotamos. Vou verificar com a direção”, declarou.
A reportagem explicou à secretária que, segundo os relatos, o pedido não teria partido da direção, mas sim de professores que estariam constrangidos ao solicitar apoio das famílias.
Questionada sobre a entrega de uniformes, Maria Almeida negou problemas no processo licitatório e afirmou que a distribuição ocorreu em três etapas. “Eles entregaram em três etapas, mas já entregaram a última etapa”, disse.
As aulas da REME começaram em 19 de fevereiro de 2026 e, quase um mês depois, pais relataram que algumas crianças teriam recebido apenas uma camiseta de uniforme. Ao ser questionada sobre a demora na entrega, a secretária reagiu:
“Por quê? Tem algum problema?” Segundo ela, a empresa responsável segue um cronograma de fornecimento. “A empresa entrega para a gente conforme o cronograma. Os uniformes foram entregues em três etapas: uma em novembro, outra em janeiro e a última na semana passada”, afirmou.
Sobre outros materiais, a secretária disse que as agendas foram entregues junto com as apostilas e que a distribuição ocorreu após o período de sondagem pedagógica. “Dia 9 de março terminou nosso período de sondagem e foi entregue a apostila”, afirmou. Ainda conforme Maria Almeida, os livros didáticos funcionam como material de apoio pedagógico e são enviados antecipadamente pelo governo.
Contraponto
A situação chama atenção porque Costa Rica construiu, ao longo das últimas gestões, uma das redes municipais de ensino mais estruturadas de Mato Grosso do Sul.
As unidades contam com bibliotecas, salas climatizadas, centros de múltiplo uso, anfiteatros e até piscinas semiolímpicas destinadas à prática esportiva e ao incentivo à natação.
Justamente por esse histórico de investimentos, pais afirmam que o episódio gera surpresa e preocupação.
Prioridades
Diante desse cenário, relatos de professores pedindo doações de papel para atividades básicas em sala de aula têm levantado questionamentos entre pais sobre as prioridades na aplicação dos recursos públicos.
Especialistas em gestão educacional afirmam que materiais de uso coletivo — como papel utilizado em atividades pedagógicas — devem ser fornecidos pelo próprio poder público, por meio de planejamento administrativo e processos licitatórios realizados com antecedência.
A divergência entre os relatos de pais e a posição oficial da Secretaria de Educação deverá agora ser esclarecida pela pasta, já que o fornecimento de materiais pedagógicos básicos é responsabilidade do poder público e integra o planejamento anual da REME.
Costa Rica em Foco
