Costa Rica 24 ℃
Em MS, 32% das mulheres vivenciaram situações de violência sem reconhecê-las como violência doméstica
Imagem; Divulgação

Em MS, 32% das mulheres vivenciaram situações de violência sem reconhecê-las como violência doméstica

Pesquisa aponta ainda que 31% das sul-mato-grossenses já sofreram violência doméstica ou familiar ao longo da vida; falta de informação sobre formas de violência e mecanismos de proteção amplia o desafio

Publicado em 28/08/2026 13:15

Em Mato Grosso do Sul, cerca de três em cada dez mulheres (32%) relataram ter vivenciado, nos 12 meses anteriores à pesquisa, situações concretas de violência, embora não tenham declarado espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar. O dado integra a atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero e chama a atenção para uma realidade que muitas vezes permanece invisível: mulheres que sofrem agressões, ameaças ou abusos sem reconhecer essas situações como formas de violência.

Os dados são da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025. Em todo o país, foram ouvidas 21.641 mulheres com 16 anos ou mais. A pesquisa possui amostra probabilística e nível de confiança de 95%.

O levantamento mostra ainda que 31% das mulheres de Mato Grosso do Sul afirmaram já ter sofrido violência doméstica ou familiar praticada por um homem ao longo da vida. Considerando apenas os 12 meses anteriores à pesquisa, 13% declararam espontaneamente ter sido vítimas.

Entre as sul-mato-grossenses que relataram violência praticada por um homem, 89% mencionaram violência psicológica, 84% violência moral e 81% violência física. Em 64% dos casos, o agressor era marido ou companheiro da vítima no momento da agressão.

Outro dado preocupante é que 18% das vítimas ainda mantêm algum tipo de convivência com o agressor e, entre elas, 75% continuam morando com ele.

Violência deixa consequências além da agressão
Os impactos também atingem diferentes áreas da vida das vítimas. Entre as entrevistadas, 67% disseram que a violência afetou sua rotina diária; 65% apontaram prejuízos no convívio com outras pessoas; 48% relataram consequências na vida profissional ou no trabalho remunerado; e 45%, nos estudos.

Entre as mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, 83% afirmaram que a violência teve muita influência na decisão.

Nas situações consideradas mais graves, 62% das entrevistadas apontaram o ciúme do agressor como circunstância presente, enquanto 51% citaram a inconformidade com o término ou tentativa de término do relacionamento e 49% relataram que o agressor estava alcoolizado.

Conhecimento sobre proteção ainda é limitado
A pesquisa também revela uma lacuna no conhecimento das mulheres sobre seus direitos e os mecanismos disponíveis para protegê-las.

Embora 93% das entrevistadas em Mato Grosso do Sul conheçam ou já tenham ouvido falar da Delegacia da Mulher e 78% do Ligue 180, 66% afirmaram conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 12% disseram não conhecer nada sobre a legislação.

Em relação às medidas protetivas, 66% disseram conhecê-las pouco e 16% afirmaram desconhecê-las. Somados, **82% apresentam conhecimento superficial ou inexistente sobre esse importante instrumento de proteção**.

A coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, Maria Teresa Prado, destaca que fortalecer a rede de atendimento é fundamental, mas que o enfrentamento começa antes mesmo de a vítima procurar ajuda.

“Uma política pública só consegue proteger plenamente quando as mulheres têm informação para reconhecer a violência, conhecem seus direitos e encontram caminhos acessíveis e seguros para buscar ajuda”, afirma.

Violência que não chega aos registros oficiais
O cenário observado em Mato Grosso do Sul acompanha um problema identificado nacionalmente. No Brasil, apenas 4% das mulheres declararam espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa. Quando questionadas sobre situações específicas de violência, sem o uso direto dessa expressão, o percentual chegou a 33%.

A diferença evidencia que parte significativa das agressões permanece fora dos registros oficiais e, consequentemente, pode não chegar aos serviços de proteção, Saúde, Assistência Social, Segurança Pública e Justiça.

Em Mato Grosso do Sul, 70% das entrevistadas afirmaram conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar. Além disso, 83% perceberam aumento desse tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Os dados reforçam que ampliar o acesso à informação, facilitar a identificação das diferentes formas de violência e divulgar os canais de denúncia e acolhimento são medidas fundamentais para que situações hoje silenciosas possam chegar à rede de proteção.

Sobre a pesquisa: a 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher foi realizada pelo DataSenado em 2025, com 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil. Os dados integram o Mapa Nacional da Violência de Gênero, plataforma mantida pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), Instituto Natura e Gênero e Número.
 

Costa Rica em Foco

SIGA-NOS NO Costa Rica em Foco no Google News

Pode te Interessar