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Golpe do falso bilhete premiado continua fazendo vítimas e acende alerta para novas abordagens

Golpe do falso bilhete premiado continua fazendo vítimas e acende alerta para novas abordagens

Criminosos usam promessa de dinheiro fácil, pressão psicológica e até ameaças para induzir vítimas, principalmente idosos, a realizar saques e transferências

Publicado em 30/08/2026 10:34

O golpe do falso bilhete premiado, uma fraude conhecida há décadas, continua fazendo vítimas no país e ganhou novas formas de abordagem. Criminosos utilizam histórias envolvendo supostos prêmios para conquistar a confiança das vítimas e induzi-las a realizar saques, depósitos ou transferências bancárias, causando prejuízos que podem chegar a centenas de milhares de reais.

Em um dos casos recentes, uma vítima perdeu R$ 750 mil após ser abordada em via pública no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, uma quadrilha suspeita de aplicar o mesmo golpe foi presa após fazer vítimas, entre elas uma idosa de 84 anos que teve prejuízo de aproximadamente R$ 47 mil.

A dinâmica geralmente começa com a abordagem de uma pessoa que afirma possuir um bilhete premiado, mas apresenta alguma justificativa para não conseguir receber o dinheiro. Durante a conversa, um segundo criminoso aparece, finge não conhecer o primeiro e ajuda a dar credibilidade à história.

A partir daí, a vítima recebe a promessa de ficar com parte ou até com o valor total do suposto prêmio, desde que entregue dinheiro como garantia ou realize alguma movimentação financeira.

Segundo Lívia Silva, gerente de Prevenção a Fraudes do Banco Mercantil, a estratégia utiliza técnicas de engenharia social para diminuir a capacidade de reação da vítima.

“O golpe se apoia principalmente na engenharia social. Os criminosos criam uma situação que parece vantajosa e usam elementos de confiança e urgência para reduzir o tempo de reflexão da vítima”, explica.

Atenção às novas abordagens
Investigações recentes mostram que o golpe também pode assumir formas mais agressivas. Em São Paulo, a Polícia Civil prendeu um suspeito de comandar uma quadrilha que convencia vítimas, geralmente idosas, a entrar em veículos. Depois, elas eram ameaçadas e obrigadas a realizar transações financeiras.

Por isso, ofertas de dinheiro fácil, pedidos envolvendo supostos prêmios, insistência para acompanhar a vítima até bancos ou caixas eletrônicos e solicitações de depósitos, saques ou transferências devem ser tratados como sinais de alerta.

“Não existe motivo legítimo para que uma pessoa desconhecida peça dinheiro como condição para dividir ou liberar um prêmio. O mais seguro é não seguir orientações de terceiros, não entrar em veículos de desconhecidos e não realizar movimentações financeiras”, orienta Lívia.

Como se proteger
A principal recomendação é interromper imediatamente a conversa diante de uma proposta desse tipo. A vítima não deve entregar dinheiro, fornecer dados bancários, senhas, cartões ou documentos, nem aceitar acompanhar desconhecidos.

Também é importante desconfiar quando alguém cria senso de urgência, tenta impedir o contato com familiares ou condiciona o recebimento de um suposto prêmio ao pagamento antecipado de qualquer quantia.

Em caso de dúvida, a orientação é procurar uma pessoa de confiança e entrar em contato diretamente com os canais oficiais da instituição financeira.

“Quanto mais as pessoas conhecem a dinâmica dos golpes e conversam sobre essas situações com familiares e pessoas próximas, maiores são as chances de identificar uma tentativa antes que haja prejuízo. A prevenção precisa fazer parte do dia a dia”, conclui a especialista.

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