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Doação para crianças some por quatro meses e BO aponta suspeita de Peculato em Casa Lar de Costa Rica
Imagens: Divulgação

Doação para crianças some por quatro meses e BO aponta suspeita de Peculato em Casa Lar de Costa Rica

Máquina de lavar e secar avaliada em R$ 12 mil teria sido entregue na residência de coordenadora da Casa Lar

Publicado em 05/02/2026 15:44

Um caso envolvendo uma doação destinada a crianças em situação de vulnerabilidade social ganhou repercussão em Costa Rica/MS e levanta suspeita de crime contra a administração pública. Conforme o boletim de ocorrência nº 192/2026, registrado em 4 de fevereiro de 2026 na Delegacia de Polícia Civil, uma máquina de lavar e secar roupas da marca Samsung, avaliada em aproximadamente R$ 12 mil e doada à Casa Lar Santa Teresinha, teria sido desviada e entregue na residência da coordenadora da instituição.

O BO tipifica o fato como possível Peculato (Artigo 312 do Código Penal), crime que prevê pena de reclusão de 2 a 12 anos, além de multa. De acordo com o registro policial, o equipamento foi doado por meio do Projeto Padrinho. Antes de ser entregue à instituição, passou por reparos realizados por um prestador de serviço. O técnico relatou que, após concluir o trabalho, entrou em contato com a coordenadora da Casa Lar, identificada no boletim como Lara Lima Vinhal, que teria solicitado que a máquina fosse entregue em sua residência pessoal.

Segundo o documento, a entrega ocorreu na primeira semana de outubro de 2025, mas o caso só foi descoberto no início deste mês, quando uma colaboradora da Casa Lar — que tinha conhecimento da doação — questionou o paradeiro do equipamento, já que a máquina nunca havia sido instalada ou entregue na instituição.

Após ser informado, o intermediário da doação procurou o técnico responsável, que confirmou ter realizado a entrega no endereço indicado, ou seja, na residência da coordenadora da Casa Lar.

Procurado pela reportagem do Costa Rica em Foco, o secretário municipal de Assistência Social, Antonio Divino Félix, afirmou que a Prefeitura só teve conhecimento do caso nesta semana. Segundo ele, após a descoberta na segunda-feira, determinou o recolhimento imediato do equipamento na residência da coordenadora e sua devolução à Casa Lar.

Questionado sobre falhas de fiscalização, o secretário alegou que não haveria como fiscalizar uma doação que, segundo ele, não havia sido oficialmente comunicada ou registrada junto à gestão municipal. “Não tem como fiscalizar algo que não se tem conhecimento”, afirmou.

Ainda segundo Antonio Divino Félix, a servidora citada no boletim foi colocada “à disposição do gabinete” e deixou a função de coordenação da Casa Lar. O secretário informou que outra servidora de carreira foi nomeada para ocupar o cargo.

Apesar da ação imediata informada pela Prefeitura, o caso levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle e transparência envolvendo doações destinadas a instituições que acolhem crianças e adolescentes.

A ausência de rastreabilidade do equipamento por mais de quatro meses evidencia fragilidades administrativas e reforça a necessidade de procedimentos mais rígidos para registro, controle e prestação de contas, mesmo em situações de doações voluntárias.

O caso da máquina de lavar desviada em Costa Rica não é apenas uma ocorrência policial isolada. É um sintoma de problemas estruturais na gestão pública: falta de transparência, ausência de controle e risco de negligência institucional.

Quando uma servidora pública responsável por coordenar uma instituição de acolhimento de crianças vulneráveis supostamente se apropria de bem doado para uso próprio, ela não comete apenas um crime contra o patrimônio — comete um crime contra a dignidade humana, contra a infância e contra a confiança da sociedade.

A investigação deve ser rigorosa, imparcial e transparente. A punição, se comprovada a culpa, deve ser exemplar. E a sociedade deve permanecer vigilante, porque casos como esse só ganham visibilidade quando alguém decide não se calar.

A Casa Lar Santa Teresinha, as crianças que ela acolhe e a sociedade de Costa Rica merecem respostas. E merecem justiça.

A reportagem também entrou em contato com a Delegacia de Polícia Civil local para obter mais detalhes sobre o andamento da investigação, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação oficial.

Costa Rica em Foco

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