Segurança na fronteira entra em pauta: agentes federais protestam por fundo financiado com dinheiro do crime
Mobilização na BR-262, em Mato Grosso do Sul, pressiona governo federal e alerta para déficit de efetivo e falta de investimentos no combate ao crime organizado
Publicado em 27/03/2026 17:34
Policiais Rodoviários Federais e Policiais Penais Federais realizaram, nesta sexta-feira (27), uma mobilização na BR-262, em Mato Grosso do Sul, para cobrar a criação do Fundo Nacional de Combate ao Crime Organizado (Funcoc). O ato ocorreu na unidade operacional da PRF em Terenos, no km 385 da rodovia, reunindo representantes das duas categorias em uma ação conjunta de conscientização e pressão institucional.
Organizada pelo Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Mato Grosso do Sul (SINPRF-MS) e pelo Sindicato dos Policiais Penais Federais no estado (SINPPF/MS), a manifestação integrou um movimento nacional, com mobilizações simultâneas em diferentes regiões do país.
A principal reivindicação é a criação do Funcoc, que prevê a destinação de recursos provenientes de apreensões realizadas no combate ao crime organizado — como dinheiro em espécie, veículos e outros bens — diretamente para investimentos nas forças de segurança pública. Apesar de já existir proposta nesse sentido, o projeto de lei permanece parado no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o que tem gerado insatisfação entre os agentes.
Durante o protesto, lideranças sindicais destacaram o caráter informativo da mobilização, com distribuição de panfletos aos motoristas que passavam pela rodovia. Segundo representantes da categoria, Mato Grosso do Sul figura entre os estados que mais realizam apreensões de drogas no país, o que reforça a necessidade de ampliar investimentos em tecnologia, inteligência e infraestrutura.
Entre as demandas apontadas estão a aquisição de equipamentos como drones, softwares de monitoramento, armamentos e melhorias estruturais, além do reforço no efetivo. No sistema penal federal, a situação é considerada crítica: atualmente, cerca de 250 servidores atuam no estado, número visto como insuficiente para atender à demanda crescente.
A mobilização também trouxe um alerta sobre a possibilidade de endurecimento das ações. Caso não haja avanço nas negociações com o governo federal, a categoria dos policiais penais federais pode deliberar, já na próxima semana, pela paralisação das atividades no presídio federal de Campo Grande.
A unidade prisional abriga nomes de peso do crime organizado nacional, o que eleva a preocupação dos agentes quanto às condições de trabalho e segurança. Diante desse cenário, as categorias reforçam a necessidade de medidas concretas e urgentes, especialmente em estados de fronteira como Mato Grosso do Sul, considerados estratégicos no enfrentamento às organizações criminosas.
O movimento desta sexta-feira amplia a pressão sobre o governo federal e busca colocar no centro do debate público a destinação de recursos e o fortalecimento das estruturas de segurança, com a proposta de utilizar o próprio dinheiro do crime como ferramenta para combatê-lo. (Com informações Assessoria).
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