Costa Rica 20 ℃
Após 20 anos sem respostas, mulher descobre endometriose avançada e faz alerta sobre sintomas ignorados
Crédito: Arquivo pessoal Kauane

Após 20 anos sem respostas, mulher descobre endometriose avançada e faz alerta sobre sintomas ignorados

Especialistas reforçam que dores intensas, sangramento excessivo e alterações intestinais durante a menstruação não devem ser considerados normais

Publicado em 05/06/2026 14:52

Por mais de duas décadas, a administradora Kauane Faria Barros conviveu com sintomas que afetavam sua saúde, sua rotina e sua qualidade de vida. Menstruações intensas, episódios frequentes de anemia, dores, fadiga extrema e problemas intestinais eram tratados como algo comum por diferentes profissionais de saúde. Somente aos 34 anos ela recebeu o diagnóstico correto: endometriose avançada.

A história de Kauane ilustra uma realidade enfrentada por milhares de mulheres. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a endometriose afeta uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva e pode levar anos para ser diagnosticada, aumentando os impactos físicos, emocionais e sociais da doença.

Os primeiros sinais surgiram ainda na adolescência. Desde a primeira menstruação, aos 14 anos, ela enfrentava sangramentos intensos, presença de coágulos e constrangimentos frequentes na escola. “Eu levava uma muda de roupa na mochila e já precisei esperar todos saírem da sala para evitar situações constrangedoras”, recorda.

Apesar dos sintomas persistentes, os exames de imagem não apresentavam alterações significativas. Com isso, as queixas eram frequentemente minimizadas. Ao longo dos anos, Kauane passou por diferentes tratamentos, incluindo o uso contínuo de anticoncepcionais, sem obter melhora.

O problema acabou impactando diversos aspectos de sua vida. As dores e o cansaço constante limitaram atividades sociais, comprometeram o desempenho profissional e provocaram episódios recorrentes de anemia. “Eu evitava compromissos nos primeiros dias do ciclo porque sabia que não conseguiria participar de nada normalmente”, conta.

Diagnóstico veio após investigação mais aprofundada
A busca por respostas se intensificou quando Kauane e o marido decidiram ter filhos. Após um ano de tentativas sem sucesso e diagnósticos inconclusivos de infertilidade, uma nova investigação revelou um tumor benigno no ovário.

Foi nesse período que ela encontrou uma ginecologista que decidiu aprofundar a investigação clínica, mesmo diante de exames aparentemente normais.

Embora os exames apontassem apenas um pequeno foco suspeito de endometriose, a equipe médica optou por tratar a condição durante a cirurgia programada para retirada do tumor.

O que parecia um caso leve revelou uma realidade muito diferente.

Durante o procedimento, os médicos identificaram múltiplos focos da doença espalhados por diferentes órgãos, incluindo útero, intestino e reto. “O que parecia pequeno estava presente em vários órgãos. A doença era muito mais avançada do que os exames mostravam”, relata.

Após a remoção dos focos e a reconstrução das áreas afetadas, os resultados foram imediatos. As dores desapareceram, a anemia deixou de fazer parte da rotina e os sintomas intestinais foram controlados.

Três meses depois da cirurgia, veio outra notícia inesperada: a gravidez.

Doença vai muito além das cólicas menstruais
De acordo com a ginecologista Georgia Fontes Cintra, coordenadora do Núcleo de Ginecologia do Hospital Sírio-Libanês, a endometriose é uma doença complexa que pode afetar diferentes sistemas do organismo. “O diagnóstico costuma levar entre cinco e 12 anos. Muitas mulheres passam por diversos especialistas antes de receberem a confirmação da doença”, explica.

Além das dores pélvicas e das alterações menstruais, a condição pode provocar sintomas digestivos, fadiga intensa, alterações urinárias, distúrbios do sono e dificuldades para engravidar.

A especialista destaca ainda que a doença pode estar associada a problemas cardiovasculares, doenças autoimunes, alterações neurológicas e transtornos de saúde mental, como ansiedade e depressão.

“A dor crônica e a inflamação têm impacto direto na qualidade de vida e podem aumentar significativamente o risco de transtornos emocionais”, afirma.

Segundo a médica, um dos maiores desafios continua sendo a conscientização sobre os sintomas. “Muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor faz parte da menstruação. Mas dor incapacitante, sangramento excessivo e sintomas que comprometem a rotina não devem ser considerados normais”, alerta.

Importância do diagnóstico precoce
Especialistas ressaltam que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença e reduzir seus impactos na fertilidade, na saúde física e no bem-estar emocional.

Mesmo quando exames de imagem não identificam alterações evidentes, a investigação clínica continua sendo essencial, especialmente em pacientes que apresentam sintomas persistentes.

Hoje, com a qualidade de vida recuperada, Kauane utiliza sua experiência para incentivar outras mulheres a procurarem ajuda médica diante de sinais que muitas vezes são ignorados. “Eu passei mais de 20 anos acreditando que aquilo era normal. Não era. Por isso digo para outras mulheres: se algo parece errado, investigue. Não aceite a dor como parte da sua rotina”, aconselha. (Com informações Assessoria Imprensa - Sírio-Libanês).

Costa Rica em Foco

SIGA-NOS NO Costa Rica em Foco no Google News

Pode te Interessar