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Inverno em Mato Grosso do Sul exige cuidados redobrados com a saúde diante do frio, da seca e da fumaça
Foto: Divulgação

Inverno em Mato Grosso do Sul exige cuidados redobrados com a saúde diante do frio, da seca e da fumaça

Estação marcada por baixa umidade, queimadas e oscilações de temperatura pode aumentar casos de doenças respiratórias, especialmente entre crianças, idosos e gestantes

Publicado em 21/06/2026 07:30

A chegada do inverno em Mato Grosso do Sul, oficialmente iniciada em 21 de junho, traz consigo não apenas temperaturas mais amenas, mas também um cenário que exige atenção à saúde da população. A combinação entre tempo seco, baixa umidade relativa do ar, maior incidência de queimadas e variações bruscas de temperatura favorece o aumento de problemas respiratórios e agrava doenças já existentes.

Neste ano, especialistas acompanham ainda a possibilidade de formação do fenômeno El Niño, que pode influenciar o regime de chuvas e alterar o comportamento climático em diversas regiões do país. Apesar da previsão de precipitações acima da média entre julho e setembro, divulgada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec/MS), o período continua sendo caracterizado pela estiagem, com longos intervalos sem chuva e índices reduzidos de umidade.

Segundo a docente do curso de Enfermagem da Estácio, Priscila Vidal, os impactos do inverno vão além do desconforto provocado pelo clima. A baixa umidade compromete a proteção natural das vias respiratórias, favorecendo crises de rinite, asma, bronquite e aumentando a vulnerabilidade a vírus e bactérias.

“O corpo humano depende de umidade para funcionar adequadamente. Quando o ar fica muito seco, as mucosas do nariz, da garganta e dos olhos perdem parte da sua capacidade de defesa, o que contribui para o aumento dos atendimentos por problemas respiratórios nos meses mais secos do ano”, explica.

Entre os sintomas mais frequentes estão irritação nos olhos, garganta seca, dores de cabeça, cansaço excessivo e sensação de desconforto respiratório. A desidratação também pode ocorrer de forma silenciosa, já que o organismo perde mais líquidos durante a respiração em ambientes secos.

Outro fator de preocupação é a fumaça das queimadas, comum durante o inverno no Pantanal e no Cerrado. As partículas presentes na fumaça podem percorrer grandes distâncias, afetando a qualidade do ar mesmo em cidades distantes dos focos de incêndio.

“A fumaça contém partículas microscópicas que alcançam regiões profundas dos pulmões, dificultando a ação do sistema de defesa do organismo. Pessoas com doenças respiratórias costumam sentir os efeitos de forma mais intensa, mas mesmo indivíduos sem histórico de alergias podem apresentar sintomas como tosse persistente, ardência na garganta e falta de ar”, ressalta a professora.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas estão entre os grupos mais suscetíveis aos efeitos do clima seco. Em idosos, por exemplo, a menor capacidade pulmonar pode favorecer complicações mais graves, enquanto nas gestantes a desidratação e a exposição contínua à fumaça podem trazer riscos adicionais à saúde materna e fetal.

Especialistas recomendam medidas simples para reduzir os impactos do inverno, como aumentar a ingestão de água, realizar lavagem nasal com soro fisiológico, utilizar umidificadores ou recipientes com água nos ambientes internos e evitar atividades físicas ao ar livre nos períodos em que a qualidade do ar estiver comprometida.

Também é importante observar sinais de agravamento, como falta de ar persistente, chiado no peito, febre elevada e alterações na coloração dos lábios ou unhas. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Com a chegada da estação mais seca do ano, a adoção de hábitos preventivos torna-se fundamental para preservar a saúde e evitar complicações respiratórias, especialmente entre a população mais vulnerável.

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