Após sair algemado da Fundação Hospitalar de Costa Rica, suposto ‘falso médico’ foi ouvido e liberado pela Polícia Civil
Segundo o delegado de Costa Rica, Caique Ducatti, o diploma era visivelmente falsificado. “Deu para perceber que era cópia, ele pegou um documento na internet, falsidade grotesca, não tinha marca d’água, só de ver já percebia que era falso”
Publicado em 24/05/2022 13:55
O jovem costarriquense Davi Souza Teixeira, 23 anos, que foi preso na noite de segunda-feira (23), por volta das 19 horas, quando iria assumir o plantão na UTI – Unidade de Tratamento Intensivo – da FHCR – Fundação Hospitalar de Costa Rica/MS, sobre a acusação de exercício ilegal da profissão ou atividade, foi ouvido e liberado pela autoridade policial.
A reportagem do Costa Rica em Foco entrou em contato com a assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Estado que informou que o jovem precisou ser algemado durante abordagem porque ofereceu resistência. Com ele foi apreendido um carimbo com o nome de Davi Teixeira e CRM – SP 22 12 89, camisa (possivelmente o jaleco) e um estetoscópio.
“Em virtude de Davi Teixeira não ter apresentado documentos que comprovassem estar apto para a pratica da medicina, exercendo de forma ilegal a profissão, ele foi detido e encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil de Costa Rica para prestar esclarecimentos acerca dos fatos. Cumpre informar que foi necessário o uso de algemas, pois Davi apresentou resistência para acompanhar a equipe de policiais e poderia tentar fugir da unidade hospitalar”, informou a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil do Estado em áudio enviado a nossa reportagem.
Segundo informações extraoficiais, Davi Teixeira teria confessado em depoimento que mentiu para a família sobre a formação no curso de medicina. Ele teria sido descoberto depois que emitiu um atestado médico com o CRM - Conselho Regional de Medicina – de uma médica que tem registro em São Paulo. Assim que o funcionário apresentou o atestado a empresa o mesmo voltou em virtude do CRM ser inválido e imediatamente alertaram a diretoria da Fundação Hospitalar de Costa Rica.
Redes Sociais
Na noite de ontem, nossa reportagem apurou possíveis contradições nas redes sociais de Davi Teixeira onde ele postava fotos e apresentações de que era médico formado na UFAL - Universidade Federal de Alagoas - e mestrando em Saúde Pública no Centro de Ensino e Pesquisa Sírio Libanês. E em outra tinha que ele era estudante de medicina na UnInter - Universidade Internacional Três Fronteiras, em Asunción.
Também nas redes sociais há fotos do jovem com beca e capelo, ele teria até realizado uma festa de formatura para comemorar o fim do curso, o que parece não ter acontecido.
Em entrevista ao jornalista Liniker Ribeiro do site Primeira Página, o delegado de Costa Rica, Caique Ducatti, que registrou o caso, disse que Davi Teixeira chegou a cursar Medicina por cerca de três a quatro períodos, mas não concluiu os estudos.
“Ele não tinha CRM, se apresentou como médico, falou que tinha interesse e, como município de interior tem muita necessidade, conseguiu”, contou a autoridade policial ao enfatizar que o diploma apresentado pelo “médico” a Polícia, era visivelmente falsificado. “Deu para perceber que era cópia, ele pegou um documento na internet, falsidade grotesca, não tinha marca d’água, só de ver já percebia que era falso”, explicou.
Nossa reportagem também recebeu denúncias de dentro da FHCR, que a diretora da unidade, Rogéria Eiks Paes Barbosa, teria contratado o jovem sem pedir nenhum documento que comprovasse que o mesmo seria médico, tanto é que na hora da abordagem policial ele não apresentou nenhuma documentação.
“Que governo é esse? Que gestão é essa que brinca com a vida das pessoas? Como coloca um jovem de 23 anos para dar plantão em uma UTI e ainda sem checar se ele realmente é médico. Eu vi ele semana passada atendendo na Fundação, e eu estava lá ontem também quando ele saiu algemado e agora o prefeito, secretário de saúde e diretora do hospital vem cada um contar uma história. Um absurdo isso. Um verdadeiro descaso com a saúde pública de Costa Rica. Pessoas estão morrendo lá, tem vídeos de familiares denunciando negligência médica, não vão fazer nada? Punir esses irresponsáveis?, questionou uma fonte que pediu para não ser identificada.
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