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Ex-comissionado da prefeitura é indiciado por favorecer prostituição

Victor Hugo Ribeiro trabalhou na administração municipal durante a gestão do ex-prefeito Marcos Trad e foi desligado a pedido

Publicado em 10/09/2022 09:31

Ex-comissionado da prefeitura é indiciado por favorecer prostituição
Victor Hugo foi preso pela Polícia Civil no dia 31 de agosto (Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado)

Ex-servidor comissionado da Prefeitura de Campo Grande, Victor Hugo Ribeiro Nogueira, 36 anos, encarcerado há exatos 11 dias, foi indiciado pelos crimes de corrupção ativa de testemunhas, coação no curso do processo e favorecimento à prostituição, conforme apurou o Correio do Estado com uma fonte que acompanha o caso.

Em depoimento prestado por uma mulher ouvida na condição de testemunha no inquérito em que o ex-prefeito da cidade e atual candidato ao governo de Mato Grosso do Sul Marquinhos Trad (PSD) é investigado por crimes sexuais, ela diz que teria ouvido do próprio Victor Hugo que, enquanto ele era comissionado na prefeitura, sua missão era de “cafetão”.

Também conhecido vulgarmente como rufião, o cafetão administra clientes para uma prostituta, além de facilitar a sua prostituição.

A investigação contra Victor Hugo pode ter relação com a apuração dos supostos crimes de estupro, assédio sexual e também exploração sexual que teriam ocorrido na Prefeitura de Campo Grande. Um dos investigados na relação desses delitos é Marquinhos Trad.

O caso é tratado em segredo de Justiça e conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) da Capital.

No período de março de 2017 a julho do ano passado, Victor Hugo foi servidor da Prefeitura de Campo Grande.

Ele teria deixado o cargo a pedido. Em janeiro do ano passado, conforme apurou o jornal, ele chegou a ficar lotado no gabinete do então prefeito, Marquinhos Trad, e recebia pela jornada um salário líquido de R$ 5.784,63.

No dia da prisão de Victor Hugo, em 31 de agosto, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em dois imóveis de Campo Grande, e em um deles funcionava uma casa de prostituição.

O ex-comissionado da prefeitura da Capital também aparece como dono de um site na internet para agenciamento de garotas de programa, com os domínios Class Vip BR e Class Vip.

Por meio das redes sociais, era possível notar que Victor Hugo era pura ostentação.

Há várias fotos dele a bordo de um Porsche Boxster, carro avaliado em cerca de meio milhão de reais. Em seus stories, também há menção a candidaturas de políticos.

No dia do encarceramento do ex-comissionado, a Polícia Civil não se manifestou.

O Correio do Estado, na data, porém, apurou que em um dos endereços onde foi cumprido o mandado de busca e apreensão funcionava um local semelhante a uma casa de prostituição.

O local seria onde mulheres se encontravam com clientes denominados vips.

Victor Hugo também é dono de uma tabacaria, a King 67 House. No site de classificados de acompanhantes, inclusive, há publicidade para a tabacaria.

A conta do Instagram de Victor Hugo também faz menção indireta ao local.

Victor Hugo já foi acusado de furto e estelionato em outras ocasiões.

Suspeita

As suspeitas que implicam Victor Hugo são de supostas ameaças que ele teria feito a mulheres que denunciaram casos de assédio sexual.

Há conversas de WhatsApp de números que supostamente seriam do suspeito. E nelas havia tentativa de direcionar alguns depoimentos de garotas em uma investigação em curso na Deam.

Por ser prisão preventiva, Victor Hugo continuará à disposição da Justiça e não há nenhuma previsão de que será colocado em liberdade.

O elemento que levou a juíza da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, May Melke Amaral Penteado Siravegna, a pedir a prisão foi a coação das testemunhas e, possivelmente, das supostas vítimas.

Defesa

No dia da prisão, a assessoria do ex-prefeito Marquinhos Trad divulgou um comunicado em que disse: “A defesa reforça que se trata de uma armação com fins políticos; lamenta, mais uma vez, o vazamento de operação em inquérito sigiloso, com a imprensa novamente avisada de todos passos, e ressalta que a pessoa citada não possui vínculo com Marquinhos”.

Em um depoimento dado por uma testemunha na investigação acerca dos supostos crimes sexuais na prefeitura, uma mulher narra parte de um esquema que rolava no prédio.

Há, inclusive, citação de que o sexo era trocado por grandes somas e envolvia autoridade política. Há indícios da participação na trama de mulher com idade inferior a 18 anos.

Ainda no depoimento, a mulher disse na frente de uma delegada que na prefeitura havia uma “rede de prostituição”.

Inverídicas

Nesta sexta-feira (9), as advogadas que defendem Marquinhos Trad, Andréia Flores e Rejane Alves Arruda, declararam que as denúncias contra o cliente são “falsas e indecentes”.

Por Celso Bejarano e Eduardo Miranda / Correio do Estado

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