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El Niño ganha força e pode provocar mudanças nas chuvas e temperaturas no Brasil
Imagem: Divulgação

El Niño ganha força e pode provocar mudanças nas chuvas e temperaturas no Brasil

Fenômeno já apresenta reflexos no País e pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses, aumentando a atenção para chuvas, estiagem, calor e risco de queimadas

Publicado em 22/08/2026 07:27

O El Niño já está em curso e deve ganhar força ao longo do segundo semestre de 2026, trazendo mudanças no regime de chuvas e nas temperaturas em diferentes regiões do Brasil. As projeções mais recentes apontam alta probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, capaz de alterar a circulação atmosférica e, consequentemente, os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

No Brasil, os efeitos variam conforme a região. Historicamente, episódios de El Niño estão associados ao aumento das chuvas no Sul e à redução das precipitações em áreas das regiões Norte e Nordeste.

Os primeiros reflexos já são observados. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as chuvas registradas em julho na Região Sul ficaram entre 30% e 90% acima da média, dependendo da localidade.

No Rio Grande do Sul, 171 municípios haviam sido afetados pelas chuvas até o início de agosto, com registros de inundações, vendavais e quedas de árvores.

El Niño pode ser muito forte
As projeções reforçam a necessidade de acompanhamento do fenômeno nos próximos meses.

Segundo atualização divulgada pelo INMET com base nas projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte nos trimestres de setembro a novembro, outubro a dezembro e novembro a janeiro.

A estimativa também aponta 69% de probabilidade de que o episódio atual se torne o El Niño mais intenso registrado desde 1950, considerando o indicador utilizado na projeção.

A expectativa é de que o fenômeno permaneça ativo pelo menos até março de 2027.

E o Centro-Oeste?
Para o Centro-Oeste, os impactos não são necessariamente os mesmos observados no Sul. Projeções climáticas indicam possibilidade de temperaturas acima da média e períodos com precipitações abaixo do esperado em determinadas áreas.

A combinação entre temperaturas elevadas e redução das chuvas também pode favorecer condições para queimadas e incêndios florestais.

Na agricultura, os efeitos dependem da intensidade e da duração do fenômeno, além do período de desenvolvimento de cada cultura. Alterações na distribuição das chuvas e temperaturas mais elevadas podem interferir no plantio, no desenvolvimento das lavouras e na disponibilidade de água.

Para o trimestre entre agosto e outubro, levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), baseado no modelo do INMET, aponta possibilidade de chuvas acima da média no sul de Mato Grosso do Sul, enquanto outras áreas do Centro-Oeste podem registrar volumes próximos ou abaixo da média.

Monitoramento será fundamental
Diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade, órgãos meteorológicos e de monitoramento recomendam acompanhamento contínuo das condições climáticas e hidrológicas.

O monitoramento é especialmente importante para antecipar possíveis impactos sobre agricultura, níveis dos rios e reservatórios, abastecimento de água, queimadas, inundações e outros eventos extremos.

O Instituto ClimaInfo também passou a publicar semanalmente o Boletim do El Niño, reunindo informações de órgãos como INPE, INMET e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), além de dados sobre chuvas, secas, focos de incêndio, reservatórios e eventos climáticos extremos.

Embora seja um fenômeno natural e cíclico, o El Niño ocorre atualmente em um cenário de temperaturas globais mais elevadas, o que torna ainda mais importante acompanhar sua evolução e os possíveis impactos ao longo dos próximos meses.

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