Especialistas alertam para casos graves de chikungunya e reforçam cuidados no diagnóstico precoce
HU-UFGD reúne profissionais para discutir novas manifestações da doença, que podem afetar sistemas neurológico, respiratório e cardiovascular
Publicado em 25/05/2026 07:42
A chikungunya tem apresentado manifestações mais graves e exige uma nova atenção das equipes de saúde. O alerta foi feito durante o encontro “Manejo Clínico de Casos Graves de Chikungunya”, realizado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), integrante da Rede HU Brasil.
O evento reuniu infectologistas, intensivistas e representantes da Força Nacional do SUS (FN-SUS) para discutir o cenário epidemiológico das arboviroses, estratégias de atendimento e os desafios no cuidado de pacientes com quadros críticos.
Tradicionalmente associada às fortes dores articulares, a chikungunya passou a ser observada também em apresentações sistêmicas, com possibilidade de comprometimento neurológico, cardiovascular, respiratório e renal, além de inflamações intensas e descompensação de doenças crônicas.
A infectologista do HU-UFGD/HU Brasil, Andyane Freitas Tetila, explicou que a doença não deve mais ser vista apenas como uma arbovirose de sintomas reumatológicos.
“Historicamente, a chikungunya ficou muito marcada pelas dores articulares intensas e prolongadas, mas os casos graves têm mostrado um comportamento muito mais sistêmico da doença. Hoje observamos pacientes evoluindo com comprometimento neurológico, cardiovascular, respiratório e renal”, destacou.
Segundo a especialista, alguns pacientes têm evoluído para situações que exigem internação hospitalar e suporte intensivo, incluindo casos de insuficiência respiratória, choque circulatório e inflamações severas.
“A chikungunya não deve mais ser vista apenas como uma doença associada à dor articular, mas como uma enfermidade potencialmente grave, que exige vigilância clínica, diagnóstico precoce e capacidade de resposta hospitalar”, afirmou.
Durante o encontro, especialistas destacaram a importância do reconhecimento rápido das chamadas manifestações “hiperagudas”, que podem evoluir de forma acelerada.
A programação contou com a participação da médica infectologista Ho Yeh Li, coordenadora da UTI de Infectologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP), e do infectologista Rafael Galliez, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que contribuíram com experiências no manejo de doenças infecciosas emergentes.
As discussões também abordaram situações vivenciadas em Dourados, incluindo atendimentos realizados pela Força Nacional do SUS junto a populações indígenas. Foram relatados casos com choque circulatório, desidratação intensa, alterações metabólicas e necessidade de cuidados especializados.
O atendimento pediátrico também foi tema do debate, com apresentação de casos críticos envolvendo bebês e crianças com comprometimento respiratório e necessidade de suporte em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Para o superintendente do HU-UFGD, médico intensivista Hermeto Paschoalick, a experiência das equipes hospitalares mostra que a chikungunya pode evoluir de formas variadas e nem sempre apresenta sinais clássicos de alerta.
“Na chikungunya parece ser mais difícil identificar sinais de alarme específicos da doença, e o tratamento precisa ser muito mais individualizado”, explicou.
Segundo ele, o hospital universitário tem papel estratégico no enfrentamento da doença, contribuindo com assistência, pesquisas e integração entre diferentes órgãos de saúde.
“Participar das pesquisas e receber especialistas de referência no país tem nos ajudado a cuidar melhor das pessoas infectadas pelo vírus”, afirmou.
O HU-UFGD reforça que a prevenção, a busca por atendimento diante dos primeiros sinais de agravamento e a capacitação contínua das equipes são fundamentais para reduzir complicações e melhorar a resposta aos casos graves de chikungunya. (Com informações Assessoria HU Brasil).
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