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Vape destrói pulmões de adolescentes em poucos meses e acende alerta sobre o “Pulmão de Pipoca”
Foto: Freepik

Vape destrói pulmões de adolescentes em poucos meses e acende alerta sobre o “Pulmão de Pipoca”

Especialistas alertam que cigarro eletrônico pode causar lesões irreversíveis, dependência acelerada e até insuficiência respiratória em jovens

Publicado em 11/05/2026 10:33

Coloridos, aromatizados e vendidos como símbolo de modernidade, os cigarros eletrônicos conquistaram rapidamente o público jovem no Brasil. Mas por trás do cheiro de morango, baunilha ou menta, médicos enxergam uma ameaça silenciosa que pode destruir os pulmões em poucos meses e deixar marcas irreversíveis para o resto da vida.

O alerta vem diante do crescimento explosivo do uso de vapes entre adolescentes e do avanço de doenças graves associadas ao dispositivo, como a bronquiolite obliterante — condição conhecida popularmente como “pulmão de pipoca”.

A doença atinge os bronquíolos, pequenas estruturas responsáveis por conduzir o ar até os alvéolos pulmonares. Quando inflamadas, essas vias sofrem cicatrização e obstrução permanente, comprometendo a respiração e podendo levar à insuficiência respiratória grave.

Segundo a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês, os danos causados pelo vape podem surgir muito mais rapidamente do que os provocados pelo cigarro tradicional.

“Os cigarros eletrônicos não são uma alternativa segura. Apenas alguns meses de uso podem gerar lesões pulmonares que o cigarro convencional levaria anos para causar”, afirma a especialista.

O termo “pulmão de pipoca” surgiu após trabalhadores de fábricas de pipoca desenvolverem a doença ao inalarem diacetil, substância usada para dar sabor amanteigado aos alimentos. Hoje, o mesmo composto está presente em líquidos utilizados em cigarros eletrônicos.

De acordo com a médica, a substância provoca uma inflamação agressiva nos pulmões, destruindo progressivamente as vias respiratórias.

“A inflamação é tão intensa que destrói o revestimento dos bronquíolos, causando fibrose e obstrução irreversível”, explica.

Mas o perigo vai muito além do diacetil. Estudos apontam que os dispositivos podem conter mais de 2 mil substâncias químicas, incluindo metais pesados e compostos cancerígenos.

Entre os componentes identificados estão níquel, chumbo e zinco — liberados pelas baterias — além de formaldeído, acroleína e altas concentrações de nicotina.

“São substâncias altamente tóxicas e sem qualquer segurança para inalação”, alerta Elnara.

Os números mostram o tamanho do problema. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelam que 29,6% dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos já experimentaram cigarros eletrônicos.

O índice praticamente dobrou em relação a 2019, quando o percentual era de 16,8%, evidenciando o avanço acelerado do vape justamente entre adolescentes.

Especialistas apontam que a estratégia de combinar nicotina com sabores doces e frutados torna o produto ainda mais atrativo para jovens e acelera o desenvolvimento da dependência química.

“O sal de nicotina utilizado no vape foi criado para viciar até dez vezes mais rápido que o cigarro convencional”, afirma a pneumologista.

Além dos danos pulmonares, pesquisadores já identificam impactos neurológicos importantes, principalmente em cérebros ainda em desenvolvimento. Ansiedade, insônia, déficit de atenção, irritabilidade e crises de pânico estão entre os efeitos associados ao uso contínuo.

Os primeiros sinais costumam parecer inofensivos: tosse persistente, chiado no peito e falta de ar durante esforços simples. O problema é que muitos adolescentes ignoram os sintomas até que os danos estejam avançados.

Em casos graves, pacientes podem evoluir para perda permanente da capacidade respiratória, necessidade de oxigênio contínuo e até transplante pulmonar.

A médica reforça que o combate ao avanço do vape passa principalmente pela informação e pelo diálogo entre famílias, escolas e profissionais de saúde.

“Quanto mais cedo ocorre o contato com o dispositivo, maiores são os riscos de dependência e mais severos podem ser os impactos no desenvolvimento cerebral e pulmonar”, alerta.

Para especialistas, o maior perigo do vape está justamente na falsa sensação de segurança. O que muitos jovens enxergam como moda ou diversão pode, silenciosamente, comprometer a saúde de forma irreversível antes mesmo da vida adulta começar. 

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