Álbum com 530 fotografias resgata 85 anos de história do Hospital São Julião
Obra da escritora Lenilde Ramos reúne 140 páginas e percorre a transformação do antigo leprosário de Campo Grande em referência de atendimento em saúde
Publicado em 19/10/2026 09:29
A trajetória de 85 anos do Hospital São Julião, em Campo Grande, foi transformada em um álbum histórico com 530 fotografias. A obra, assinada pela escritora Lenilde Ramos, reúne 140 páginas e recupera desde o período em que a instituição funcionava como leprosário até sua transformação em hospital de referência para pacientes de Mato Grosso do Sul.
O trabalho é resultado de uma pesquisa realizada a partir de um acervo de aproximadamente 4 mil fotografias e documentos. A produção do álbum levou cerca de um ano e meio, embora a autora relate que o trabalho de preservação dessa memória tenha começado há mais de três décadas.
“Há mais de 30 anos venho estruturando a melhor forma de contar a história do São Julião. O pioneiro nesse caminho foi Lino Villachá, paciente hanseniano, poeta e cronista, que escreveu cinco livros relatando suas memórias”, conta Lenilde.
Organizada cronologicamente, a publicação aborda a inauguração do antigo leprosário, a chegada de voluntários italianos, a criação da Associação Beneficente de Auxílio e Recuperação dos Hansenianos e as mudanças ocorridas na estrutura e no atendimento aos pacientes ao longo das décadas.
Irmã Silvia e a transformação do São Julião
Um dos principais personagens dessa trajetória é Irmã Silvia Vecellio. A religiosa italiana chegou ao hospital na década de 1960 e dedicou cerca de seis décadas à instituição.
Segundo Lenilde, quando Irmã Silvia conheceu o São Julião, em 1964, encontrou um ambiente marcado pela segregação das pessoas com hanseníase. Sua atuação contribuiu para mobilizar profissionais, voluntários e apoiadores para mudar essa realidade.
“Irmã Silvia sempre atuou com pulso firme em um lugar classificado como um ‘depósito de doentes’. Ela trouxe médicos, profissionais e trabalhadores de diversas áreas para transformar aquela realidade”, afirma a autora.
A própria história de Lenilde também se mistura à da instituição. Aos 18 anos, em 1970, ela iniciou trabalho voluntário no projeto de reconstrução do antigo leprosário. Ao longo das décadas, atuou como professora, secretária e animadora cultural, além de registrar relatos de pacientes e trabalhadores.
Do isolamento à assistência em saúde
Ao longo dos anos, o São Julião deixou de ser uma instituição destinada ao isolamento de pacientes com hanseníase e ampliou sua atuação para mais de 20 especialidades médicas.
De acordo com dados divulgados pelo hospital, foram realizados 574 mil procedimentos em 2025. A instituição mantém atuação de referência em hanseníase e oftalmologia, além de programas de residência médica.
O álbum também registra iniciativas ambientais desenvolvidas na área de 240 hectares ocupada pelo São Julião. A instituição informa que atualmente reaproveita ou destina à reciclagem 86% dos resíduos sólidos gerados.
Para o presidente do hospital, Carlos Melke, a publicação ajuda a preservar não apenas as mudanças físicas ocorridas ao longo dos anos, mas também o trabalho das pessoas que participaram dessa transformação.
“O conteúdo deste álbum histórico mostra o fruto da vocação missionária de Irmã Silvia Vecellio, a tenacidade com que ela e seus fiéis aliados lutaram por essa obra e a revolução que esse trabalho operou”, destaca.
Como adquirir
O álbum sobre os 85 anos do Hospital São Julião está disponível na Livraria Leitura, no Shopping Campo Grande. Segundo a instituição, a renda obtida com a venda será revertida ao próprio hospital.
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